O primeiro é a revelação —para o espanto de zero pessoas— que se o uso de IA no trabalho é visto pela lente do aumento da produtividade, gerando temores e maravilhamentos, no processo de escrita de uma coluna opinativa ele é visto com repulsa, como se os leitores estivessem sendo traídos.
Esse resultado parece estar ligado ao elemento que leitores procuram em uma coluna opinativa: a opinião do autor ou autora, devidamente envelopada com o seu estilo, suas referências, experiências e sensibilidade.
O segundo ponto está ligado ao processo de criação e aqui é preciso repetir o óbvio: escrever é pensar.
Nenhuma coluna nasce pronta, como Atenas da cabeça de Zeus. Ao longo da escrita se vai refletindo sobre as ideias e o texto toma corpo, sendo transformado na medida em que os parágrafos se encaixam.
Mesmo as colunas escritas no quente, mais curtinhas e para reagir ao noticiário do dia, passam por esse processo de faz e desfaz, volta, revisa e segue em frente.
Aqui não quero soar purista ou nostálgico pela figura do autor solitário.








