Segunda-feira, 02/03/26

Comunidades transformam manguezais da Baía de Guanabara com projetos de limpeza

Comunidades transformam manguezais da Baía de Guanabara com projetos de limpeza
Comunidades transformam manguezais da Baía de Guanabara com projetos de – Reprodução

A participação comunitária de povos tradicionais está modificando o cenário ambiental dos manguezais na Baía de Guanabara por meio de projetos de limpeza de resíduos sólidos, conscientização de pescadores e catadores de caranguejo, além da recuperação da fauna e flora locais. Essas ações ocorrem em vários municípios ao redor da baía.

Em janeiro e fevereiro, o Projeto Andadas Ecológicas, promovido pela ONG Guardiões do Mar, recolheu 4,5 toneladas de rejeitos em Magé. Os beneficiários diretos incluem pescadores artesanais, catadores de caranguejo, adolescentes e crianças da comunidade de Suruí e adjacências, no recôncavo da Baía de Guanabara.

Além da limpeza dos manguezais, o projeto desenvolve a formação de um ecoclube, com o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) utilizando a Moeda Azul, chamada Mangal – uma tecnologia social inédita. Ao longo de dois anos e dois meses, o iniciativa envolverá escolas, espaços comunitários e moradores das margens do Rio Suruí, em Magé, na Baixada Fluminense.

Na formação do ecoclube, famílias, crianças e jovens serão incentivados a recolher resíduos sólidos pós-consumo, evitando descarte incorreto e promovendo a reciclagem. Esses resíduos poderão ser trocados por moedas Mangal, que depois serão convertidas em objetos em um bazar.

Segundo Pedro Belga, presidente da Guardiões do Mar, o projeto vai além da coleta de lixo, enfatizando a educação ambiental nas margens do Rio Suruí. Ele destacou que o PSA, adotado pela ONG desde 2001 na comunidade da Ilha de Itaoca, sensibiliza as comunidades, tornando-as agentes ambientais. A limpeza resulta em maior produção de peixes e caranguejos, além de melhor qualidade nos manguezais.

Rafael dos Santos, presidente da Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangues de Magé, apontou que a limpeza também beneficia o Turismo de Base Comunitária, atraindo visitantes com cenários mais limpos no rio e manguezal.

O projeto Andadas Ecológicas estende a Operação LimpaOca, coordenada por Rodrigo Gaião. Desde 2012, a operação recolheu mais de 100 toneladas de resíduos na região da APA de Guapimirim. Pela primeira vez, as ações se estendem da foz à nascente do Rio Suruí. Entre os resíduos comuns estão plásticos em garrafas PET, potes, sacolas e fragmentos, além de sofás, TVs, lixo eletrônico e peças de madeira.

As iniciativas de limpeza nos mangues da região começaram em 2000, após o rompimento de um duto da Petrobras que ligava a Refinaria Duque de Caxias ao terminal Ilha d’Água. O vazamento levou a uma multa de R$ 35 milhões ao Ibama e R$ 15 milhões investidos na revitalização da baía pela empresa.

A ONG Guardiões do Mar desenvolve outros projetos semelhantes, como Mar ao Mangue, Dia de Limpeza da Baía de Guanabara, Sou do Mangue, Guanabara Verde, LimpaOca e Uçá, construídos gradualmente para valorizar as comunidades e melhorar sua qualidade de vida.

T LB

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