Domingo, 12/04/26

Criação de comissão para apurar caso Orelha ganha apoio nas redes após promotoria pedir buscas

Criação de comissão para apurar caso Orelha ganha apoio nas redes após promotoria pedir buscas
Criação de comissão para apurar caso Orelha ganha apoio nas – Reprodução

O requerimento que tramita na Câmara dos Deputados para a criação de uma comissão externa que acompanhe a investigação do caso do cão Orelha, morto em janeiro, na Praia Brava, em Florianópolis, ganhou tração nas redes sociais na semana em que a Promotoria de Santa Catarina pediu mais buscas à Polícia Civil do estado para concluir seu parecer final.

O requerimento para a criação da comissão externa foi o quarto projeto de maior interação no site da Câmara entre os dias 2 de e 8 de abril.

Protocolado em janeiro pela deputada Professora Luciene Cavalcante (PSOL/SP), o pedido de comissão externa prevê fiscalizar a investigação, baseado em notícias de que familiares dos adolescentes supostamente envolvidos teriam interferido nas investigações policiais.

O requerimento, que pede “investigação isenta”, não detalha como esta comissão externa seria criada nem quais seriam os participantes dela.

O cão comunitário Orelha morreu no dia 5 de janeiro, em Florianópolis, após ser vítima de um ataque ocorrido na madrugada anterior, segundo a Polícia Civil. Resgatado por moradores com ferimentos graves, o animal foi encaminhado a uma clínica veterinária, mas não resistiu.

Na conclusão das investigações, a Polícia Civil solicitou a internação de um adolescente suspeito de ter agredido Orelha. Entre os principais elementos reunidos está um vídeo que mostra o jovem saindo de um condomínio da região às 5h25 e retornando às 5h58. De acordo com a corporação, o ataque teria ocorrido por volta das 5h30.

A defesa do adolescente nega qualquer envolvimento e sustenta que não há provas que o vinculem ao caso, além de apontar a disseminação de desinformação nas redes sociais. Familiares do jovem indiciado e de outros adolescentes investigados, mas não indiciados, relatam ter sido alvo de ameaças virtuais e exposição de dados pessoais.

O laudo pericial produzido após a exumação do corpo não apontou a causa da morte, mas também não descartou a hipótese de trauma.

A morte do cão Orelha motivou 25 projetos de lei envolvendo proteção animal na Câmara dos Deputados, além de protestos em todo o país.

Na quinta-feira (9), o Ministério Público disse ter pedido uma “diligência específica”, sem detalhar qual, para concluir o posicionamento jurídico sobre a investigação da morte de Orelha.

“O caso conta com um vasto conjunto de provas, o que exige uma avaliação criteriosa e aprofundada”, afirmou a Promotoria em nota. Ainda segundo o órgão, o pedido de nova busca pretende “assegurar que nenhuma informação relevante deixe de ser considerada na tomada de decisão”.

A reportagem procurou a Polícia Civil de Santa Catarina por e-mail neste sábado (11) para saber se a nova diligência já foi realizada e se há posicionamento sobre o pedido do Ministério Público, mas não houve resposta até a publicação deste texto.

A notícia de um pedido de nova diligência repercutiu nas redes sociais. Perfis voltados à proteção animal publicaram a informação como um risco de postergação do fim da investigação, que está sob sigilo.

Em fevereiro, a Promotoria já havia pedido diligências adicionais em relação à investigação policial — promotores identificaram “lacunas” que, segundo eles, precisavam ser completadas, e envolviam a suposta participação dos adolescentes. Entre as diligências pedidas pelo MP estava a exumação do corpo de Orelha.

O laudo pericial realizado pela Polícia de Santa Catarina afirmou que “não foram constatadas fratura ou lesão que pudessem ter sido causadas por ação humana nem mesmo no crânio”. A análise disse ainda que não foi possível identificar a causa da morte.

No laudo, os peritos afirmam que não houve vestígio de que um prego fora cravado na cabeça do animal, diferentemente do veiculado em redes sociais e alguns veículos de comunicação.

Em março, a Justiça de Santa Catarina suspendeu a investigação penal sobre a conduta do ex-delegado geral da Polícia Civil Ulisses Gabriel durante o caso do cão Orelha.

No dia 13, o Ministério Público de Santa Catarina instaurou um inquérito a pedido da 40ª Promotoria de Justiça da Comarca de Florianópolis, responsável pelo controle externo da atividade policial.

O órgão informou que o inquérito tem como objetivo apurar se Ulisses cometeu abuso de autoridade, vazamento de informações sigilosas e improbidade administrativa.

T LB

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