Quando a gente fala do celular básico, que é aquele que vende a rodo, o preço da memória vai ser 25% do total. O celular tem milhares de componentes e uma categoria só dele vai custar um quarto do total. Isso faz com que a gente chegue à primeira consequência da guerra dos chips: os celulares baratinhos estão fadados a morrer.
Helton Simões Gomes
O peso das memórias sobre o custo total dos smartphones em geral tem subido gradualmente. Era de 16% em 2025 e vai chegar a 23% neste ano. Só que o patamar de um quarto do gasto para montar celulares de entrada deve tornar a categoria dos baratinhos menos atraente para os fabricantes, estimam consultorias como a Gartner.
Ao colocar na ponta do lápis o retorno financeiro oferecido para cada categoria, as fabricantes devem optar por apostar em modelos intermediário e premium, que oferecem margem maior.
Ainda que tenham cálculos divergentes, diversas consultorias que acompanham o mercado de tecnologia estimam que o preço das memórias vai continuar disparando -para a Counterpoint Research, a guinada será de 50%, enquanto, para a Gartner, será de 160% neste ano.
Como o preço das memórias vai saltar, as projeções são de queda nas vendas de smartphones e aumento de preços em todas as categorias. E, para a Gartner, esse movimento vai atingir com mais intensidade os Android de entrada, de modo que Apple e Samsung saiam fortalecidas. Esse cenário deve afastar outras fabricantes que apostam em celulares de entrada.
Entre os computadores, o avanço do preço dos chips de memória é semelhante, tanto é que a Gartner avalia que os PCs de entrada devem deixar de existir em 2028.








