A farmácia de manipulação abre um leque de possibilidades para os pacientes. Os medicamentos podem variar de uma cápsula que dissolve na língua, um chocolate com benefícios medicinais ou até um biscoito com remédio para facilitar o tratamento de um pet. Além dos remédios feitos sob medida para a dose exata do paciente. No Distrito Federal, a pioneira no segmento é a Farmacotécnica, empresa familiar que acaba de completar seus 50 anos de atuação na capital.
Vencedora do Prêmio Top Of Mind pela vigésima segunda vez no segmento de Farmácia de Manipulação, a última em 2025, a empresa foi fundada por Rogério Tokarski em 1976. Ela surgiu com o objetivo de oferecer alternativas terapêuticas, além dos medicamentos padronizados da indústria e a produção de medicamentos que não são mais ofertados pelo mercado comum.
“Quando tudo começou foi uma visão, uma vontade própria de personalizar medicamentos. Naquela época não existiam farmácias de manipulação com o nível de qualidade e com os insumos que existem hoje. A poderosa indústria farmacêutica dominava todos os cantos da terapêutica, e o que nós fizemos foi trazer a possibilidade de adaptar os medicamentos às necessidades específicas de cada paciente”, explicou Tokarski.
A empresa cresceu ao longo das cinco décadas de existência e hoje conta com 200 colaboradores, 26 farmacêuticos e sete unidades no DF. No local são atendidas prescrições médicas de mais de 26 especialidades, principalmente as áreas de ginecologia e endocrinologia. E trabalham com mais de duas mil matérias-primas, segundo Rogy Tokarski, diretora da empresa e filha do empresário.
“Temos 50 anos e meio no mesmo CNPJ. Muitas empresas fecham e abrem novamente para recomeçar, mas nós enfrentamos os problemas e seguimos adiante. Um dos meus maiores orgulhos é ter ajudado a desenvolver a farmácia de manipulação no Brasil e contribuído para a criação de normas e regulamentações que hoje organizam o setor. A farmácia não para. É um movimento contínuo de estudar, desenvolver e buscar novas formas de obter melhores resultados para os pacientes”, relatou Tokarski.
A Farmacotécnica começou como um negócio familiar. Tokarski iniciou a empresa sozinho e, poucos meses depois, passou a contar com a esposa, Romelita Tokarski, também farmacêutica. Décadas depois, Rogy Tokarski e Romy Tokarski seguiram o mesmo caminho profissional dos pais e hoje fazem parte da direção da empresa. A presença feminina também marca a trajetória da empresa. Atualmente, cerca de 80% dos colaboradores são mulheres e a liderança é majoritariamente feminina.
O empresário esclareceu ainda que dedicou toda a sua vida para o seu negócio: “Nós praticamente oferecemos a nossa juventude e a nossa vida para construir esse negócio. Hoje as filhas também são farmacêuticas e estão à frente da empresa. A ideia é fazer a passagem do bastão para a nova geração continuar esse trabalho”.
Personalização para pessoas e pets
Além da variedade de fórmulas, a Farmacotécnica aposta em diferentes formas farmacêuticas para facilitar o tratamento dos pacientes. Entre as opções estão cápsulas, géis transdérmicos aplicados na pele, pastilhas sublinguais, sachês, xaropes, pirulitos e até chocolates com substâncias específicas. “A farmácia de manipulação existe para oferecer alternativas específicas para cada pessoa. Aqui nada é feito em alta escala, o medicamento é preparado para aquele paciente e para o período do tratamento”, explicou Rogy.
“A indústria trabalha basicamente com dose adulta e infantil. Mas cada pessoa tem um peso, um organismo e uma necessidade diferente. O que fazemos é essa adequação de doses, além de produzir medicamentos que a indústria deixou de fabricar ou fórmulas que precisam de ajustes específicos. A nossa missão não é fazer medicação aleatória. A nossa missão é fazer medicação com prescrição, atendendo aquilo que o médico indica para o paciente”, comentou Tokarski.
Outro segmento com atuação da empresa é a manipulação de fórmulas veterinárias. Desde 2004, são produzidos medicamentos personalizados para os pets, como biscoitos com sabor de ração para cães e pastas ou petiscos adaptados para gatos. Rogy explicou ainda que para atuar nesse segmento é necessário ter uma autorização específica do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), além do cumprimento de normas regulatórias próprias.
Desafios na trajetória
Para o fundador, entre os principais desafios no início da empresa se destacam a escassez de insumos, a dificuldade de importação e a ausência de uma legislação específica para o setor. “Os maiores desafios eram insumos, legislação e ciência. Naquela época não havia quase fornecedores e era preciso importar praticamente tudo. Hoje nós temos cerca de 30 importadoras, naquela época contamos com duas”, lembrou o fundador.
Um outro desafio é o rigoroso controle regulatório. A diretora contou que pelo fato de serem referência no mercado, são constantemente fiscalizados pelos órgão competentes, como a Anvisa, a Polícia Federal e o Corpo de Bombeiros. “Por sermos referência e estarmos em Brasília, acabamos sendo muito mais fiscalizados do que outras empresas menores que abriram há pouco tempo. A cada duas semanas recebemos fiscalizações da vigilância sanitária. E sempre fica a dúvida se os concorrentes também recebem esse mesmo rigor de fiscalização”, expôs Rogy.
O papel fundamental da tecnologia
Com o avanço da área farmacêutica, a empresa também passou a investir em tecnologia para aprimorar processos e garantir rastreabilidade na produção. Atualmente, os laboratórios contam com sistemas de monitoramento durante a pesagem das matérias-primas e equipamentos especializados, e também com o uso de inteligência artificial em etapas de atendimento e orçamento.
Um dos equipamentos que se destacam na empresa é o Marz, tecnologia que foi trazida dos Estados Unidos para o Brasil. “Hoje somos a quinta empresa no Brasil a possuir um equipamento Marz, que não serve apenas para deixar a embalagem mais bonita, mas para tornar o tratamento mais eficaz para o consumidor. A inteligência artificial também já faz parte do nosso processo. Ela pode auxiliar desde o atendimento online até a elaboração inicial de orçamentos e processos internos”, disse Rogy.
Celebração dos 50 anos
Ainda sobre a celebração dos 50 anos, a empresa realizará no próximo dia 21 de março um congresso de medicina integrativa voltado para médicos e nutricionistas. O Congresso Internacional Farmacotécnica de Medicina Preventiva (Confarmed reunirá cerca de 500 prescritores e contará com palestras de conceituados especialistas na área, como o americano Dr. Andy Franklyn-Miller, o Dr. Lair Ribeiro e farmacêutica da Farmacotécnica, Leandra Sá de Lima.
O evento marca o início de uma série de comemorações que seguiram durante todo o ano. De acordo com Rogy, a empresa também irá celebrar as cinco décadas em uma festa privada apenas para os funcionários. Outra forma de comemorar o aniversário da entidade será o lançamento de um livro que conta a história da empresa ao longo desses 50 anos e uma possível homenagem ao fundador, Rogério Tokarski.
Educação ambiental e sustentabilidade
A empresa também marca presença em questões voltadas para a educação ambiental e a sustentabilidade. Um dos projetos sociais da Farmacotécnica é o Projeto Preservar, voltado para educação ambiental e uso de plantas medicinais. A iniciativa acontece na chácara da empresa que cultiva mais de 30 espécies medicinais, com destaque para a Camomila.
Durante o projeto, estudantes da Escola Classe Ipê (Park Way) visitam o local para aprender sobre cultivo, colheita e propriedades terapêuticas das plantas. As crianças também se tornam monitores da atividade e apresentam a programação para os visitantes do espaço. O local também é utilizado por alunos da Universidade de Brasília (UnB) para fins acadêmicos. O Projeto Preservar já soma mais de 20 edições.








