Sábado, 28/03/26

Decisão do STF pode favorecer lado dos bandidos, diz procuradora de MG sobre penduricalhos

Decisão do STF pode favorecer lado dos bandidos, diz procuradora de MG sobre penduricalhos
Decisão do STF pode favorecer lado dos bandidos, diz procuradora – Reprodução

A decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que impôs um limite a pagamentos para membros do Judiciário e do Ministério Público pode favorecer “o lado dos bandidos”, afirma a procuradora Reyvani Jabour.

Número dois na hierarquia do Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG), ela diz à reportagem que o entendimento do Supremo desvaloriza a carreira, pode levar à aposentadoria de membros e afugentar talentos do órgão.

“A carreira deixa de ser interessante, as pessoas vão buscar a área privada e vão para os grandes escritórios. A tendência é fortalecer quem está contra os interesses sociais, o lado dos bandidos, dos ofensores”, afirma.

A decisão do Supremo da última quarta-feira (25) colocou um limite sobre os chamados penduricalhos pagos à magistratura e aos procuradores e promotores, com algumas implicações para outras carreiras jurídicas como a dos advogados públicos.

Ela definiu que pagamentos extras, criados para compensar despesas específicas do exercício da função, poderão superar o teto constitucional (R$ 46.366,19) em até 70% do valor do limite.

Outros benefícios, como auxílio-moradia, auxílio-alimentação e licenças compensatórias, passam a ser vetados.

A representante da Promotoria mineira reconhece que há excessos em remunerações de determinados membros da magistratura e do Ministério Público, mas diz que esse não é o caso do órgão mineiro.

“Uma coisa é você cortar o exagero, trazê-lo pra vala. Eles [ministros do STF] pegaram a exceção e trataram como se fosse regra”, afirma Jabour.

A procuradora afirma que o Ministério Público de Minas irá cumprir integralmente a decisão do STF e que, nas decisões liminares anteriores dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, o órgão não precisou fazer grandes alterações na folha de pagamentos.

Um dos penduricalhos que os promotores e procuradores mineiros deixarão de receber será o auxílio-saúde.

Uma lei sancionada pelo governador Mateus Simões (PSD) liberou o pagamento do benefício aos membros do Ministério Público correspondente a 10% do subsídio mensal.

Agora, os procuradores e promotores precisarão apresentar as despesas médicas para reembolso.

A procuradora mineira afirma que não haverá no órgão paralisação nem retaliação à decisão do Supremo.

“Nós não podemos parar. Tem muita gente que depende da nossa atuação e a gente tem consciência disso.”

T LB

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