Sexta-feira, 13/02/26

Defensoria planeja recorrer de absolvição de PMs no homicídio de Thiago Flausino

Defensoria planeja recorrer de absolvição de PMs no homicídio de Thiago Flausino
Defensoria planeja recorrer de absolvição de PMs no homicídio de – Reprodução

A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro estuda recorrer da decisão que absolveu, nesta quarta-feira (11), dois policiais militares da acusação de homicídio qualificado do adolescente Thiago Menezes Flausino, de 13 anos. O crime ocorreu em agosto de 2023, na Cidade de Deus, zona sudoeste do Rio de Janeiro.

O defensor público André Castro, que atuou como assistente da acusação no julgamento, afirmou que, diante do conjunto probatório robusto, há possibilidade de recurso, respeitando a decisão da maioria dos jurados. Ele destacou o sentimento da família, representada pela Defensoria, de que a verdade ainda não prevaleceu.

Castro elogiou a mobilização da família de Thiago logo após o crime, que organizou manifestações e chamou a atenção das autoridades de justiça. No entanto, lamentou a estratégia de defesa dos policiais, baseada em legítima defesa, apesar da ausência de confronto. Na visão do defensor, os advogados tentaram transformar o garoto em um traficante de drogas, exibindo fotos dele supostamente segurando armas, com símbolos de facção ou alusões à cultura do trap.

O defensor classificou essa tese como inadmissível, argumentando que fotos no celular não provam envolvimento com o crime e que uma situação de legítima defesa precisa ser demonstrada. Segundo ele, as provas, incluindo vídeos e perícia, mostram que não houve ordem de parada nem possibilidade de resistência: os policiais saíram do carro e atiraram no menino.

A família buscou comprovar a inocência de Thiago por meio de testemunhas e imagens de câmeras de estabelecimentos comerciais próximos, que ajudaram a demonstrar que a vítima não estava armada, embora o momento exato da ação não tenha sido gravado. Castro mencionou um trabalho sério de apuração por órgãos como Ministério Público e Polícia Civil, resultando em dois processos criminais.

Além do homicídio de Thiago e da tentativa de homicídio de Marcos Vinicius de Sousa Queiroz, atingido na mão, os policiais respondem por fraude processual na Auditoria da Justiça Militar. No processo, agentes mentiram em depoimentos e precisaram alterar versões, como o uso de um carro particular em vez de viatura, contrariando norma da Secretaria de Segurança que proíbe isso em abordagens.

A defesa sustentou que Thiago portava uma pistola e disparou contra os policiais, mas o Ministério Público apontou que a perícia não identificou cartuchos ou buracos de tiro dessa arma, baseando-se apenas na palavra de um dos agentes.

O julgamento, que durou dois dias e foi marcado por tensão, absolveu os policiais Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria, do Batalhão de Choque à época, também da tentativa contra Marcos Vinicius, que confirmou em depoimento que ambos não estavam armados e não havia confronto. Os jovens andavam de moto quando caíram próximo ao carro descaracterizado dos policiais, que saltaram disparando.

Castro expressou decepção com o veredito, não pela ausência de pena, mas pelo não reconhecimento da violência cometida pelo Estado. Com o possível recurso, a Defensoria busca reparar a honra do menino e de sua família, que sofreu ataques à memória e dignidade do adolescente durante o plenário. A Anistia Internacional manifestou indignação com a absolvição e condenou o desvio de foco no julgamento.

T LB

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