Quarta-feira, 08/04/26

Deputados criticam falta de implementação da lei de prevenção ao suicídio

Deputados criticam falta de implementação da lei de prevenção ao suicídio
Deputados criticam falta de implementação da lei de prevenção ao – Reprodução

A Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados realizou, nesta terça-feira (7), uma audiência pública para avaliar os desafios da Lei 13.819/19, que institui a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio. A norma completa sete anos de vigência em 26 de abril.

A audiência foi proposta pela deputada Rogéria Santos (Republicanos-BA), que destacou o crescimento ‘assustador’ dos números de automutilação e suicídio entre crianças, adolescentes e jovens. ‘Precisamos analisar se a legislação realmente saiu do papel e se tem cumprido seu maior objetivo, que é prevenir e combater esses comportamentos’, afirmou a parlamentar.

O deputado Osmar Terra (PL-RS), autor da proposta que deu origem à lei, criticou a falta de aplicação prática da norma. Ele apontou que a notificação obrigatória de casos detectados em escolas e unidades de saúde ainda não é uma realidade. ‘A lei não está implementada como uma prioridade. É preciso capacitar professores e profissionais de saúde para detectar precocemente transtornos de humor’, defendeu Terra.

O parlamentar citou sua experiência como gestor no Rio Grande do Sul, onde a busca ativa reduziu em 17% os índices de suicídio em dois anos.

Representantes do Ministério da Educação detalharam ações em andamento, mas reforçaram os limites da atuação federal devido à autonomia de estados e municípios. Consultor da pasta, Alexandre Augusto Rodrigues, informou que existem 12 cursos de atenção psicossocial e saúde mental no ambiente virtual Avamec, com mais de 420 mil acessos.

O coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos, Erasto Fortes Mendonça, ressaltou que o MEC atua na indução de políticas e apoio técnico. ‘A prevenção nas escolas exige um esforço articulado com a rede de atenção psicossocial e conselhos tutelares’, explicou. Sobre a obrigatoriedade de cursos para professores, Mendonça esclareceu que o MEC não pode impor diretrizes aos sistemas de ensino locais, mas promove a formação continuada por adesão.

O Ministério da Saúde destacou a ampliação da Rede de Atenção Psicossocial. Segundo o coordenador-geral de Saúde Mental, Vinícius Batista Vieira, o governo pretende habilitar todos os novos serviços solicitados por municípios até junho deste ano. Vieira também mencionou a implementação de projetos-piloto de telesaúde mental e a retomada do Fórum Nacional de Saúde Mental de Crianças e Adolescentes, parado há dez anos.

A psicóloga Cristiane Nogueira, representante do Conselho Federal de Psicologia, alertou que o Brasil caminha na contramão dos pactos mundiais, com aumento nos índices de suicídio. Ela enumerou questões como desigualdade social e falta de projetos de vida, excessiva medicalização de crianças e adolescentes, e carência de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) voltados ao público infantojuvenil.

‘O comportamento suicida é um sintoma psíquico e social. Precisamos sensibilizar os profissionais para que atuem de forma integrada e humanizada’, concluiu Nogueira.

T LB

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