Quarta-feira, 18/03/26

Diretor da Aneel critica ação judicial da Enel para barrar caducidade de concessão

Diretor da Aneel critica ação judicial da Enel para barrar caducidade de concessão
Diretor da Aneel critica ação judicial da Enel para barrar – Reprodução

A distribuidora de energia Enel São Paulo protocolou um mandado de segurança na Justiça na terça-feira (17) para suspender o processo de caducidade de sua concessão de energia elétrica, em tramitação na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, criticou a iniciativa da empresa durante entrevista na manhã de quarta-feira (18), em São Paulo, antes do leilão de contratação de reserva de capacidade de energia. Ele disse ter ficado ‘surpreso’ com o ajuizamento da ação, que visa impedir o julgamento do processo e anular seu voto já proferido.

‘Nós fomos informados hoje pela manhã que a empresa depôs o mandado de segurança, ainda não julgado, para que esse julgamento não ocorra e também para que o voto que já está assentado no processo, o voto proferido por mim, seja tornado nulo’, afirmou Feitosa. Ele informou que a Aneel recorrerá caso o mandado seja deferido.

O processo de caducidade da concessão da Enel São Paulo está em análise na agência reguladora desde que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito da capital, Ricardo Nunes, se uniram para pedir o rompimento do contrato. O pedido surgiu após diversas reclamações de moradores e comerciantes da Grande São Paulo, que enfrentaram episódios de falta de luz.

A diretoria colegiada da Aneel prorrogou o prazo de vista do processo até 24 de março, quando o caso será rediscutido. Feitosa enfatizou que não há julgamento ou decisão final, apenas um agendamento de reunião, e criticou a tentativa da empresa de interferir no processo administrativo por vias judiciais.

‘Não há julgamento, não há decisão. O que há é o agendamento de uma reunião. E nos causa realmente muita surpresa de que a empresa esteja tentando interferir no processo administrativo da Aneel por vias transversas’, disse o diretor-geral. Ele recomendou que a Enel concentre esforços em melhorar a qualidade do serviço em vez de investir em suporte jurídico.

‘Eu recomendo fortemente à empresa que ela empreenda todos os esforços possíveis para melhorar o serviço ao cidadão, melhorar a qualidade do serviço e eventualmente reduza o seu esforço de contratação de cada vez mais suporte jurídico para evitar que a Aneel trabalhe’, declarou Feitosa.

O diretor destacou que a caducidade é apenas uma recomendação da Aneel, com a palavra final pertencendo à União Federal. Até o momento, a agência já decidiu pela caducidade em 30 ocasiões, principalmente em casos de transmissão de energia.

Em nota, a Enel reafirmou sua confiança nos fundamentos legais apresentados e no sistema jurídico brasileiro, reiterando a necessidade de que qualquer deliberação seja analisada de forma isenta e técnica, de acordo com a legalidade e os fatos comprovados no processo.

T LB

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