O dólar cai mais de 1% nesta terça-feira (31), com rumores do fim da guerra no Irã desvalorizando a cotação da moeda globalmente e impulsionando a busca por ativos de risco entre investidores.
Às 15h54, a moeda norte-americana caía 1,00%, cotada a R$ 5,193, em linha com o exterior. Na mínima da sessão, o dólar chegou a R$ 5,180 queda de 1,25%.
Lá fora, o índice DXY, que mede o desempenho da divisa frente a outras seis moedas fortes, recuava 0,58%, a 99.928 pontos.
No mesmo horário, a Bolsa subia forte, avançando 2,56%, a 187.203 pontos, beneficiada por um ambiente externo de maior interesse pelo mercado de ações. Nos EUA, Nasdaq, Dow Jones e S&P 500 subiam até 3,62%.
Analistas permanecem com a guerra do Oriente Médio em foco durante o pregão. Eles repercutem a notícia do Wall Street Journal de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria disposto a encerrar o confronto militar com o Irã, mesmo com o fechamento do estreito de Hormuz.
Segundo a reportagem, que ouviu assessores que teriam falado com Trump, a decisão de encerrar o confronto provavelmente manteria o controle de Teerã sobre a via marítima por onde passam 20% da produção mundial de petróleo e GNL (gás natural liquefeito).
O governo Trump deixaria para o futuro uma possível operação para reabrir o estreito. A matéria afirma que Trump e seus auxiliares avaliam que uma missão para reabrir a via estenderia o conflito além do prazo de quatro a seis semanas estipulado pelo presidente.
Diante desse cenário, Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX, vê um movimento de correção da moeda, com alta de 2% em março. “A correção reflete a possibilidade de encerramento do conflito. Isso representaria uma derrota para os Estados Unidos, mas tenderia a amenizar os temores relacionados tanto à desaceleração da economia quanto à aceleração inflacionária”, diz.
Segundo Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, a expectativa de uma possível trégua anima os analistas. “Trouxe um ambiente mais favorável ao aumento do apetite por risco. Isso se reflete no câmbio com o dólar em queda e também na curva de juros, que cede um pouco por conta desse cenário”.
As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), que medem a expectativa do mercado em relação ao futuro das taxas Selic e CDI (usado como referência para remunerar investimentos), caem em bloco nesta manhã.
Às 15h50, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,795%, com queda de 31 pontos-base ante o ajuste de 14,10% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 14,02%, com queda de 24 pontos-base em relação aos 14,13% anteriores.
O mercado de juros futuros tem avançado nas últimas semanas pelo temor da alta do petróleo impactar a inflação no Brasil, o que pode levar o Copom (Comitê de Política Monetária) a manter os juros elevados por mais tempo.
Na segunda, o presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, abordou o tema. Ele afirmou que a manutenção da taxa em patamares elevados criou uma “gordura” que permitiu que o colegiado iniciasse o ciclo de afrouxamento na reunião deste mês mesmo em meio à disrupção econômica causada pela guerra no Irã.
Esse mesmo fator, disse ele, possibilita que o Copom aguarde os próximos desenrolares do conflito para decidir sobre o rumo dos juros.
“Agora, mais do que nunca, temos de separar o ruído do sinal. Isso será ainda mais importante para guiar as reações que o BC deve ter. O BC sempre vai continuar agindo de forma serena e parcimoniosa”, afirmou ele, também reafirmando que é “normal” que a autarquia esteja mais inclinada para o lado conservador.
Apesar do otimismo do pregão, o conflito, em si, tem escalado. Nesta terça, o Exército de Israel afirmou estar preparado para mais semanas de combates na guerra contra o Irã, um dia depois que o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu anunciou que já alcançou mais da metade de seus objetivos.
Na segunda-feira, a estatal de petróleo do Kuwait disse que um de seus superpetroleiros foi atingido pelo Irã enquanto estava ancorado no porto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Segundo a empresa, a embarcação pegou fogo e há o risco de um vazamento de petróleo nas águas do golfo Pérsico.
A guerra começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, que retaliou. Desde então, o conflito se espalhou pela região do Oriente Médio.
No ambiente doméstico, o foco está sobre a formação da Ptax. Calculada pelo BC com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros.
No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa), o que tende a gerar mais volatilidade no mercado cambial.
Em função da disputa, é comum haver maior volatilidade na primeira metade da sessão, em especial nos horários próximos às janelas de coleta de valores pelo BC, às 10h, 11h, 12h e 13h.
O mercado também reage aos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de fevereiro, que mostraram abertura de 255,3 mil vagas formais. A expectativa entre economistas consultados pela Reuters era de abertura de 270,1 mil vagas.








