Quinta-feira, 05/03/26

Dólar fecha em queda firme, a R$ 5,21, e Bolsa avança, em dia de menor aversão a ativos de risco

Dólar fecha em queda firme, a R$ 5,21, e Bolsa avança, em dia de menor aversão a ativos de risco
Dólar fecha em queda firme, a R$ 5,21, e Bolsa – Reprodução

O dólar fechou em queda firme de 0,81% nesta quarta-feira (4), cotado a R$ 5,218, em movimento de correção após uma forte aversão ao risco tomar as negociações na véspera.

A moeda norte-americana passou toda a sessão no negativo, tendo chegado à mínima de R$ 5,192 no início da tarde. Na véspera, em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio, a divisa saltou de R$ 5,164, patamar de fechamento de segunda-feira, para R$ 5,261.

Investidores seguem atentos aos desenrolares da guerra no Irã, em especial nas implicações para o mercado de energia, mas o sentimento desta quarta é de maior apetite por ativos de risco e reflete, também, no desempenho da Bolsa de Valores brasileira.

O Ibovespa fechou em alta de 1,32%, a 185.366 pontos, depois de ter tombado mais de 3% na véspera.

Outros índices globais também refletiram a disposição dos operadores por investimentos menos conservadores.

Em Wall Street, o Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq Composite avançaram 0,5%, 0,8% e 1,3%, respectivamente. Os europeus Euro Stoxx 600, FTSE (Londres), CAC (Paris) e DAX (Frankfurt) subiram em torno de 1% cada também.

As exceções foram as praças asiáticas. A Bolsa de Seul despencou 12%, maior queda em um dia na sua história, depois de já ter perdido 7% na véspera. O Nikkei, do Japão, perdeu 3%; o Hang Seng, de Hong Kong, 2%.

Também em queda, o dólar perdeu ante a maior parte das moedas, inclusive de mercados emergentes, como o rand sul-africano, o peso chileno, o peso mexicano e o real. O índice DXY, que compara a divisa dos EUA a seis moedas fortes, recuou 0,27%.

O movimento de correção se somou ao de outros ativos, como o petróleo, que acumulou alta de 12% nos últimos dois dias. O barril do Brent, principal referência de preço internacional, opera próximo de US$ 81, uma queda de 0,12% em relação ao patamar de terça, mas ainda assim um valor que não era visto desde janeiro de 2025.

Em resposta, as ações da Petrobras caíram 1% no pregão da B3.

“O dia foi marcado por um movimento de acomodação nos mercados após o estresse observado no pregão anterior. A estabilização dos preços do petróleo, depois da forte alta provocada pela escalada das tensões no Oriente Médio, ajudou a aliviar parte da pressão sobre o dólar”, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

“A percepção de que os EUA podem garantir o fluxo de petróleo pelo estreito de Hormuz contribuiu para reduzir parcialmente o prêmio de risco geopolítico, diminuindo a demanda defensiva pela moeda americana.”

Trump afirmou que poderia enviar a Marinha para escoltar petroleiros pelo estreito de Hormuz, via por onde passam 20% do petróleo e gás do mundo.

A retórica, porém, foi contestada pela Guarda Revolucionária do Irã, que disse que o país controla a passagem pelo canal. “Atualmente, o estreito de Hormuz está sob controle total da Marinha da República Islâmica”, disse nesta quarta.

Teerã afirmou ter fechado o estreito de Hormuz na segunda-feira. O Qatar ainda suspendeu a produção de gás natural liquefeito, levando ao fechamento preventivo de instalações de petróleo e gás em todo o Oriente Médio. A produção do país representa cerca de 20% da oferta global.

“Apesar do anúncio feito por Trump, ainda é incerto a capacidade da frota marinha dos EUA de conseguir escoltar diversos tanqueiros pelo estreito, bem como a inclinação das empresas marítimas de enviarem seus ativos pelo canal”, diz Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da Stonex.

“Caso seja observado um aumento do número de navios cruzando a via, parte dos prêmios de risco de oferta podem ceder, impactando negativamente os preços do petróleo.”

O principal receio, hoje, é de que a guerra cause disrupções prolongadas nos mercados de energia. Se o confronto durar mais tempo, os preços mais altos das commodities poderão provocar um repique inflacionário –sobretudo em países que já estão avançados nos ciclos de afrouxamento de juros, como os Estados Unidos.

A possibilidade tira atratividade de mercados emergentes e pode frear o fluxo de capital estrangeiro que, no Brasil, inundou a B3 nos primeiros dois meses do ano.

“Os ataques ao Irã foram totalmente inesperados. Nenhum analista conseguiria prever, dois meses atrás, que o aiatolá Ali Khamenei seria morto e que o conflito escalaria dessa forma”, diz João Ferreira, sócio da One Investimentos.

“Isso muda totalmente o cálculo de alocação e precificação de mercados em geral.”

Ainda, uma reportagem do The New York Times afirmou que agentes da inteligência iraniana entraram em contato indiretamente com a CIA um dia após os ataques, mas as autoridades norte-americanas continuam céticas quanto à possibilidade de o governo Trump ou o Irã estarem preparados para uma redução do conflito no curto prazo.

Isso “por si só é provavelmente uma boa notícia, mas não devemos dar nada como certo, pois o governo deixou bem claro que tem objetivos que ainda não foram alcançados”, diz Art Hogan, estrategista-chefe de mercado da B Riley Wealth.

T LB

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