Domingo, 12/04/26

Educação em tempo integral no DF atinge 51,2 mil alunos da rede pública

Educação em tempo integral no DF atinge 51,2 mil alunos da rede pública
Educação em tempo integral amplia oportunidades de aprendizagem para estudantes da rede pública do DF – Reprodução

A educação em tempo integral no Distrito Federal expandiu, atendendo 51,2 mil estudantes da rede pública direta e conveniada em 2024, um aumento de 9,7% em relação aos 46,7 mil registrados em 2019. Os dados, do Censo Escolar produzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), refletem o fortalecimento da política pública na capital federal.

Expansão da educação em tempo integral

Segundo a subsecretária de Educação Inclusiva e Integral da Secretaria de Educação (SEEDF), Vera Lúcia de Barros, a ampliação da jornada escolar é um processo contínuo. “Esse resultado expressa o esforço do GDF para ampliar o acesso à jornada ampliada e assegurar que mais crianças e jovens tenham oportunidades educativas integradas e de qualidade”, declara.

Os dados mostram a presença da modalidade em diferentes etapas de ensino. Em 2019, do total de matrículas em tempo integral, cerca de 21 mil estavam na educação infantil, 22,6 mil no ensino fundamental e 1,7 mil no ensino médio. Havia ainda 888 matrículas na educação profissional, 107 na Educação de Jovens e Adultos (EJA) e 239 na educação especial. Em 2024, a ampliação foi registrada principalmente na educação infantil, que passou a contar com 26,7 mil estudantes. O ensino fundamental registrou 20,7 mil matrículas, e o ensino médio chegou a 2,2 mil. Também houve crescimento na educação profissional, que passou para 1.395 matrículas.

Em 2025, foram investidos mais de R$ 15,5 milhões em ações de manutenção das unidades atendidas pelo Programa Escola em Tempo Integral (Peti) e pelo Programa de Fomento às Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral (Emti), além de cerca de R$ 7 milhões aplicados na aquisição de equipamentos tecnológicos. Os investimentos fazem parte do Peti, instituído pela Lei nº 14.640/2023.

Impacto real do modelo de ensino

Estudo de caso: Escola Classe Santa Helena

Na prática, a política se reflete no cotidiano de unidades como a Escola Classe Santa Helena, em Sobradinho, onde todas as turmas do 1º ao 5º ano do ensino fundamental funcionam em jornada ampliada. A escola atende 132 estudantes, que permanecem no local das 7h30 às 17h30, com dez horas diárias de atividades pedagógicas e formativas.

Além das disciplinas do currículo regular, os estudantes participam de projetos de matemática, língua portuguesa, cidadania, tecnologia, meio ambiente, ciência e saúde. Atividades culturais, esportivas, artísticas e de desenvolvimento motor também fazem parte da rotina. Os alunos recebem cinco refeições diárias: café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar, o que garante segurança alimentar.

Benefícios para as famílias

O modelo influencia positivamente a rotina de famílias como a da dona de casa Sandra Batista dos Santos, mãe de três filhos, incluindo Jennifer Vitória, de 7 anos, que estuda na Escola Classe Santa Helena. Para a mãe, a escola oferece segurança e apoio no cuidado com a menina, que tem cardiopatia.

“Eu me sinto totalmente segura. Desde o primeiro dia, fui bem acolhida pela equipe da escola, procuraram conhecer nossas necessidades, me sinto muito amparada. Minha filha recebe todas as refeições, é muito bem cuidada. A rotina da escola ajudou muito no meu dia a dia e no dela em casa”, relata Sandra. A pequena Jennifer confirma: “Eu gosto de tudo, acho a escola excelente, os cuidados são ótimos e as professoras ensinam muito bem. Antes eu não sabia ler nem escrever, mas agora já estou sabendo”.

Desenvolvimento pedagógico e social

Segundo a diretora da unidade, Isabel Cristina dos Reis de Souza, a educação integral impacta o desenvolvimento de comunidades em vulnerabilidade. “A educação integral é um diferencial para essas famílias. As crianças ficam dez horas na escola, fazem cinco refeições e recebem uma educação de qualidade. Nossa escola teve um dos melhores Índices de Desenvolvimento da Educação (Ideb) de Sobradinho”, afirma.

A Escola Classe Santa Helena também desenvolve atividades esportivas por meio de projetos como ciclismo e basquete. O professor de basquete do Centro de Iniciação Desportiva (CID), Demetrius Lopes, ressalta que a atividade física incentiva a convivência e o espírito coletivo. “É um esporte de equipe, então busca trabalhar também a socialização dos meninos, os conceitos básicos de movimentação, lateralidade, capacidade física e, principalmente, essa parte de integração entre eles”, observa.

Já o professor de ciclismo do CID, Alex Acosta, destaca o potencial inclusivo da modalidade: “Todo esporte tem o seu momento competitivo, e às vezes os menos habilidosos eram os mais empolgados. Então cada modalidade pode agregar mais”.

Para o psicólogo e vice-diretor da escola, Thiago Lacerda Guimarães, a permanência ampliada diversifica as experiências educacionais. “Atendemos uma comunidade bastante diversa: temos crianças de alto padrão e crianças com grande dificuldade social, moradores de acampamentos e áreas rurais. Aqui, essas realidades convivem juntas, então a escola atende todos os públicos para oferecer a melhor qualidade de ensino na rede pública”, reforça.

T LB

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