A educação em tempo integral no Distrito Federal expandiu, atendendo 51,2 mil estudantes da rede pública direta e conveniada em 2024, um aumento de 9,7% em relação aos 46,7 mil registrados em 2019. Os dados, do Censo Escolar produzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), refletem o fortalecimento da política pública na capital federal.
Expansão da educação em tempo integral
Segundo a subsecretária de Educação Inclusiva e Integral da Secretaria de Educação (SEEDF), Vera Lúcia de Barros, a ampliação da jornada escolar é um processo contínuo. “Esse resultado expressa o esforço do GDF para ampliar o acesso à jornada ampliada e assegurar que mais crianças e jovens tenham oportunidades educativas integradas e de qualidade”, declara.
Os dados mostram a presença da modalidade em diferentes etapas de ensino. Em 2019, do total de matrículas em tempo integral, cerca de 21 mil estavam na educação infantil, 22,6 mil no ensino fundamental e 1,7 mil no ensino médio. Havia ainda 888 matrículas na educação profissional, 107 na Educação de Jovens e Adultos (EJA) e 239 na educação especial. Em 2024, a ampliação foi registrada principalmente na educação infantil, que passou a contar com 26,7 mil estudantes. O ensino fundamental registrou 20,7 mil matrículas, e o ensino médio chegou a 2,2 mil. Também houve crescimento na educação profissional, que passou para 1.395 matrículas.
Em 2025, foram investidos mais de R$ 15,5 milhões em ações de manutenção das unidades atendidas pelo Programa Escola em Tempo Integral (Peti) e pelo Programa de Fomento às Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral (Emti), além de cerca de R$ 7 milhões aplicados na aquisição de equipamentos tecnológicos. Os investimentos fazem parte do Peti, instituído pela Lei nº 14.640/2023.
Impacto real do modelo de ensino
Estudo de caso: Escola Classe Santa Helena
Na prática, a política se reflete no cotidiano de unidades como a Escola Classe Santa Helena, em Sobradinho, onde todas as turmas do 1º ao 5º ano do ensino fundamental funcionam em jornada ampliada. A escola atende 132 estudantes, que permanecem no local das 7h30 às 17h30, com dez horas diárias de atividades pedagógicas e formativas.
Além das disciplinas do currículo regular, os estudantes participam de projetos de matemática, língua portuguesa, cidadania, tecnologia, meio ambiente, ciência e saúde. Atividades culturais, esportivas, artísticas e de desenvolvimento motor também fazem parte da rotina. Os alunos recebem cinco refeições diárias: café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar, o que garante segurança alimentar.
Benefícios para as famílias
O modelo influencia positivamente a rotina de famílias como a da dona de casa Sandra Batista dos Santos, mãe de três filhos, incluindo Jennifer Vitória, de 7 anos, que estuda na Escola Classe Santa Helena. Para a mãe, a escola oferece segurança e apoio no cuidado com a menina, que tem cardiopatia.
“Eu me sinto totalmente segura. Desde o primeiro dia, fui bem acolhida pela equipe da escola, procuraram conhecer nossas necessidades, me sinto muito amparada. Minha filha recebe todas as refeições, é muito bem cuidada. A rotina da escola ajudou muito no meu dia a dia e no dela em casa”, relata Sandra. A pequena Jennifer confirma: “Eu gosto de tudo, acho a escola excelente, os cuidados são ótimos e as professoras ensinam muito bem. Antes eu não sabia ler nem escrever, mas agora já estou sabendo”.
Desenvolvimento pedagógico e social
Segundo a diretora da unidade, Isabel Cristina dos Reis de Souza, a educação integral impacta o desenvolvimento de comunidades em vulnerabilidade. “A educação integral é um diferencial para essas famílias. As crianças ficam dez horas na escola, fazem cinco refeições e recebem uma educação de qualidade. Nossa escola teve um dos melhores Índices de Desenvolvimento da Educação (Ideb) de Sobradinho”, afirma.
A Escola Classe Santa Helena também desenvolve atividades esportivas por meio de projetos como ciclismo e basquete. O professor de basquete do Centro de Iniciação Desportiva (CID), Demetrius Lopes, ressalta que a atividade física incentiva a convivência e o espírito coletivo. “É um esporte de equipe, então busca trabalhar também a socialização dos meninos, os conceitos básicos de movimentação, lateralidade, capacidade física e, principalmente, essa parte de integração entre eles”, observa.
Já o professor de ciclismo do CID, Alex Acosta, destaca o potencial inclusivo da modalidade: “Todo esporte tem o seu momento competitivo, e às vezes os menos habilidosos eram os mais empolgados. Então cada modalidade pode agregar mais”.
Para o psicólogo e vice-diretor da escola, Thiago Lacerda Guimarães, a permanência ampliada diversifica as experiências educacionais. “Atendemos uma comunidade bastante diversa: temos crianças de alto padrão e crianças com grande dificuldade social, moradores de acampamentos e áreas rurais. Aqui, essas realidades convivem juntas, então a escola atende todos os públicos para oferecer a melhor qualidade de ensino na rede pública”, reforça.








