Domingo, 22/02/26

Em meio a protestos, presidente do Irã diz que ‘não baixará a cabeça’ diante de pressão dos EUA

Em meio a protestos, presidente do Irã diz que ‘não baixará a cabeça’ diante de pressão dos EUA
Em meio a protestos, presidente do Irã diz que ‘não – Reprodução

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou neste sábado (21) que seu país não cederá à pressão das potências mundiais em meio às negociações nucleares com os Estados Unidos. As declarações do mandatário aconteceram em meio a novos protestos no país. Manifestantes se reuniram em diversas universidades de Teerã, segundo relatos da mídia local.

“As potências mundiais estão se unindo para nos forçar a baixar a cabeça, mas não baixaremos a cabeça, apesar de todos os problemas que estão criando para nós”, disse Pezeshkian em um discurso transmitido ao vivo pela TV estatal.

Enquanto isso, nas ruas de diversas cidades do país, estudantes entoaram slogans contra o regime durante manifestações em memória das vítimas da repressão à onda de protestos que atingiram seu ápice nos dias 8 e 9 de janeiro deste ano.

Agências de notícias estatais divulgaram vídeos de confrontos nos quais manifestantes teriam ferido milícias estudantis pró-regime ao atirar pedras contra a instituição. Membros da Basij frequentemente auxiliam as forças de segurança na repressão de protestos.

Protestos também foram realizados nas universidades Beheshti e Amir Kabir, em Teerã, e na Universidade de Mashhad, no nordeste do país, de acordo com vídeos publicados pelo grupo de direitos humanos HAALVSH cuja veracidade a agência Reuters não conseguiu verificar.

Na cidade de Abdanan, no oeste, um dos principais focos dos atuais protestos, manifestantes entoaram cânticos como “morte a Khamenei” e “morte ao ditador” após a prisão de um professor ativista, de acordo com o grupo de direitos humanos Hengaw e publicações nas redes sociais.

Os distúrbios que culminaram nos protestos de janeiro começaram em dezembro, em meio a uma prolongada crise financeira, e se transformaram em uma onda massiva de protestos. Foi o pior episódio de agitação interna desde a Revolução Islâmica do Irã, em 1979.

De acordo com relato de um integrante do regime à agência Reuters, ao menos 5.000 pessoas morreram nos protestos. A repressão se deu no momento em que os EUA aumentam a pressão sobre o país.

Na sexta-feira (20), o presidente americano, Donald Trump, não descartou um ataque militar limitado contra o país persa. Questionado por jornalistas se estava avaliando uma ofensiva em menor escala para pressionar o Irã a fechar um acordo sobre seu programa nuclear, o republicano respondeu: “Acho que posso dizer que estou considerando”.

Já o ministro das Relações Exteriores do regime, Abbas Araqchi, disse, no mesmo dia, que esperava ter uma contraproposta pronta nos próximos dias após as negociações nucleares com os EUA nesta semana.

A informação de que os EUA avaliavam uma ofensiva havia sido adiantada pelo Wall Street Journal. O jornal publicou uma reportagem afirmando que há a possibilidade de uma ação mais focada, não tão avassaladora, para sinalizar aos iranianos que a hora de ceder na negociação e terminar seu programa nuclear é agora.

Dois funcionários norte-americanos disseram à agência de notícias Reuters que o planejamento militar dos EUA sobre o Irã havia chegado a um estágio avançado, com opções que incluíam atacar indivíduos específicos e até mesmo buscar uma mudança na liderança em Teerã, se Trump assim ordenar.

Após o conflito direto entre Irã e Israel em junho de 2025, que resultou em um frágil cessar-fogo depois de 12 dias de combates, eles vivem em constante incerteza e permanecem traumatizados. “Não consigo mais dormir à noite. Tenho pesadelos em que sou perseguida e morro. Vou para a cama tarde, acordo tarde e estou deprimida”, afirmou Hanieh, que não quis revelar seu nome completo.

Um sinal da atmosfera extremamente tensa, uma tempestade noturna em Teerã na semana passada foi suficiente para assustar os moradores, que acreditaram ser o início de uma guerra, disseram vários deles à agência. O mesmo aconteceu com os fogos de artifício que marcaram o 47º aniversário da Revolução Islâmica.

T LB

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