Após 52 anos de jornalismo, aposentado reflete sobre lealdade, família, decepções e as lições que a vida e a morte ensinam sobre humildade e valores reais
Após 52 anos dedicados ao jornalismo, hoje aposentado, carrego comigo não apenas uma longa trajetória profissional, mas também uma vida marcada por aprendizados, fé e discernimento. Sou evangélico e me considero um homem de poucos amigos, daqueles que preferem a verdade e a lealdade à quantidade de companhias.
Em Santa Maria, minhas amizades se resumem a três ou quatro pessoas. São relações verdadeiras, construídas ao longo do tempo, firmadas no respeito mútuo e na confiança. Não preciso de muitos ao meu redor, pois os poucos que tenho são suficientes para dar sentido ao valor da amizade sincera.
No Gama, mantenho outros três amigos, entre eles um muito especial, alguém que guardo no coração e que já foi administrador em Santa Maria. Além dele, carrego comigo as lembranças de quatro amigos dos tempos de juventude, vividos na quadra do Coenge, no Gama, onde muitas histórias foram escritas.

Foto: Aqui resido com minha esposa, um filho e minha nora; Nosso recanto de sossego, descanso e paz.
Recentemente, tive um reencontro marcante com esses amigos, ainda que em um momento de dor: o velório de um deles, o querido Tim Maia. Foi uma ocasião de tristeza, mas também de reflexão, onde memórias foram revividas e sentimentos verdadeiros vieram à tona, mostrando que o tempo pode passar, mas não apaga laços reais.
É importante frisar que, além dos amigos, também tenho colegas e conhecidos. No entanto, ao tentar me aproximar de alguns que se diziam amigos, fui surpreendido pelo silêncio e pela indiferença. Houve até quem insinuasse que eu estaria buscando algum tipo de vantagem, o que revela muito mais sobre essas pessoas do que sobre mim.
A esses, deixo claro: sou dependente apenas de Jesus a cada segundo da minha vida. Fora o Todo-Poderoso, preciso apenas da minha esposa, companheira de 43 anos, e dos meus filhos, criados com amor, princípios e caráter. São cinco, todos casados, responsáveis e dignos, e são eles com quem realmente posso contar em qualquer situação.
Sou um homem realizado, pai de família que se orgulha da sua história e profundamente grato a Deus por tudo que recebi. Nunca me faltou o essencial, e sempre tive mais do que o suficiente para viver com dignidade, fé e tranquilidade.
Durante o sepultamento do meu amigo Tim Maia, tive uma reflexão inevitável: ali, diante da morte, acaba todo orgulho e toda soberba. Nas lápides, não há escrituras de imóveis, carros luxuosos ou saldos bancários.

Foto: A Vida acaba assim: esqueleto-humano – Reprodução
Fica o alerta aos que se julgam superiores: não sejam orgulhosos nem egoístas, pois a vida é breve e termina exatamente como está postada acima — simples, silenciosa e igual para todos.
Redação do Correio de Santa Maria– Por Vital Furtado








