Sexta-feira, 20/03/26

Escalada da guerra no Oriente Médio aumenta pressão por novo reajuste do diesel

Escalada da guerra no Oriente Médio aumenta pressão por novo reajuste do diesel
Escalada da guerra no Oriente Médio aumenta pressão por novo – Reprodução

O agravamento da guerra no Oriente Médio, com os primeiros ataques a instalações de petróleo e gás na região, joga ainda mais pressão por novo reajuste no preço do diesel nas refinarias da Petrobras, que voltou a operar com defasagem superior a R$ 2 por litro.

Nesta quinta-feira (19), após uma noite de ataques sobre instalações no Irã, na Arábia Saudita e no Qatar, a cotação do petróleo Brent chegou a bater US$ 119 por barril, caindo depois para perto de US$ 110.

Para analistas do Morgan Stanley, as cotações permanecerão em alta enquanto o fluxo do estreito de Hormuz for restrito e podem bater o recorde de 2008 (perto de US$ 150 por barril) em caso de grandes disrupções na produção no Oriente Médio.

Analistas e empresas do setor dizem que, nesse cenário, novo reajuste da Petrobras é fundamental para garantir o suprimento nacional, embora o governo tenha lançado um programa de subvenção para compensar parte das perdas do setor.

“Embora a Petrobras seja a líder incontestável no mercado doméstico, ela não consegue, fisicamente, atender a 100% da demanda de diesel do Brasil”, escreveram analistas do Scotiabank em relatório divulgado nesta quinta.

“O mercado, estruturalmente, exige um grupo competitivo de importadores independentes para suprir esse déficit. Quando a Petrobras mantém os preços artificialmente baixos, isso afeta a arbitragem desses agentes independentes, praticamente paralisando suas operações.”

Na abertura do mercado desta quinta, o preço do diesel nas refinarias da Petrobras estava R$ 2,41 por litro mais barato do que a paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis). Na gasolina, a diferença era de R$ 1,30 por litro.

O presidente da Abicom, Sergio Araújo, diz que os ataques recentes não afetam a oferta de combustíveis no curto prazo. “Por enquanto tem produto. O problema é que o preço sobe cada vez mais.” A entidade é signatária de uma carta entregue ao governo cobrando reajustes.

Araújo diz que, com as defasagens atuais, o programa de subvenção a produtores e importadores criado pelo governo tem efeito limitado. O plano vai pagar R$ 0,32 a cada litro de diesel vendido abaixo de um preço estabelecido pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis).

“Se a Petrobras ficar com preço muito abaixo da referência da ANP, vai causar distorção no mercado”, afirmou. “A gente vai buscar produto [no exterior], mas a competição vai ser desleal.”

O mercado reclama de demora da ANP em definir o preço de referência, que poderia trazer mais segurança para a retomada das importações. Entre o pedido e a chegada das cargas, diz Araújo, são necessários de 20 a 30 dias.

A reportagem procurou o MME (Ministério de Minas e Energia) e a ANP para saber se há avaliações dos riscos ao abastecimento após a escalada do conflito para ataques a instalações de petróleo, mas eles não responderam até a publicação desta reportagem.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, tem repetido que a empresa não quer repassar volatilidades internacionais ao consumidor brasileiro e segue avaliando o mercado. Afirma também que a empresa tem trabalhado para ampliar a oferta de diesel ao país.

T LB

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *