Aceitar mudanças no corpo após cirurgias pode ser desafiador, como vivenciou a aposentada Vandelice Santos de Santana, de 66 anos, ao usar uma bolsa de colostomia após tratamento de câncer colorretal. No início, ela enfrentou dificuldades para aceitar o dispositivo, dependendo do filho para trocá-lo.
A bolsa de colostomia coleta fezes por meio de uma abertura no abdômen, necessária quando o intestino ou ânus não funcionam normalmente. A estomaterapia, especialidade da enfermagem, é essencial para orientar pacientes com estomas – aberturas cirúrgicas conectando órgãos ao exterior –, além de tratar feridas complexas e incontinências.
No Hospital de Base do Distrito Federal, administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), a enfermeira estomaterapeuta Alexandra Lino é referência nesse atendimento. Especializada para lidar com complexidades como abdomens abertos e estomas difíceis, ela enfatiza que o acolhimento emocional é crucial, pois a bolsa altera a rotina e impacta o psicológico dos pacientes.
Em 2025, o hospital realizou mais de 2,5 mil atendimentos em estomaterapia. Muitos pacientes aprendem o manejo em casa, mas alguns precisam de acompanhamento contínuo devido a complicações. Alexandra destaca que cada caso é único, com perguntas pessoais e envolvimento familiar na nova rotina, combatendo preconceitos com empatia.
Hoje, Vandelice superou o período inicial e retoma a autonomia, cuidando da casa e saindo sozinha. Além de estomas, a estomaterapia trata feridas complexas, como no caso de André Luiz Nagashima Silva, de 41 anos, que amputou metade do pé devido a uma complicação e recebe apoio para cicatrização.
O atendimento foca em pacientes internos, avaliando lesões, orientando higiene, indicando curativos e monitorando evolução, prevenindo complicações em condições como úlceras venosas, pé diabético e lesões por pressão.







