Sexta-feira, 16/01/26

Estudo aponta discursos mais curtos no Senado devido às redes sociais

Estudo aponta discursos mais curtos no Senado devido às redes sociais
Estudo aponta discursos mais curtos no Senado devido às redes – Reprodução

Um estudo da Consultoria Legislativa do Senado Federal, intitulado ‘Plenário, Palanque, Estúdio: discursos no Plenário do Senado Federal entre 2007 e 2024’, de autoria do consultor Pedro Duarte Blanco, revela que os discursos em Plenário ficaram mais curtos e com menos interrupções, refletindo o impacto das redes sociais na comunicação política.

A pesquisa, integrada à série ‘Textos para Discussão’ do Núcleo de Estudos e Pesquisas da Consultoria Legislativa, analisa a evolução dos pronunciamentos ao longo de 17 anos. Os autores observam uma transformação das sessões plenárias, que passaram de diálogos interativos para monólogos mais controlados, priorizando falas ‘clipáveis’ – ideais para recortes em vídeos curtos e compartilhamento online. Essa mudança reduz o improviso e a interação, minimizando riscos de edições fora de contexto nas redes.

O estudo divide a análise em três fases: aumento no número de discursos entre 2007 e 2014; queda entre 2014 e 2021, com o mínimo em 2020 devido à pandemia e ao uso de deliberação remota; e recuperação parcial a partir de 2021. Apesar da retomada, o tamanho médio dos pronunciamentos em 2024 é menos da metade do registrado em 2007, medido pela mediana de palavras.

Blanco relaciona essas alterações a transformações tecnológicas e ao ambiente político polarizado, especialmente após o impeachment de Dilma Rousseff em 2016. Durante a pandemia, o formato em vídeo incentivou maior apelo retórico e linguagem figurada. A pesquisa não estabelece causalidade definitiva, mas sugere um possível desgaste do espaço plenário como consequência ou causa dessas tendências.

Quanto às interações, os ‘apartes’ – interrupções para comentários ou perguntas – caíram drasticamente: em 2024, representam apenas 10% do número de 2007, com predominância de apartes únicos. Após as sessões remotas, mais de 90% das falas ocorrem sem interrupções. O consultor pondera que debates podem estar migrando para comissões, mas o Plenário mantém relevância simbólica para exposição pública de ideias.

Em termos de produtividade, embora o número de sessões plenárias tenha diminuído em 10% no período, as proposições aprovadas aumentaram de 377 em 2007 para 519 em 2024, indicando um ritmo mais intenso. Blanco destaca que, além da deliberação, os debates cumprem funções de representação e estabilidade política, indo além da mera eficiência legislativa.

A pesquisa também explora questões de gênero, notando crescimento nos apartes entre senadoras a partir de 2018, possivelmente ligado à articulação de pautas pela Bancada Feminina. Por fim, o autor defende que o modelo das redes sociais é desgastante e sugere que o Plenário pode liderar uma retomada de debates mais dialogados, servindo de exemplo para a representação política.

T LB

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