Quarta-feira, 11/03/26

Europa liga alerta para reduzir dependência de big techs dos EUA

Europa liga alerta para reduzir dependência de big techs dos EUA
Europa liga alerta para reduzir dependência de big techs dos – Reprodução

Se o Trump falar que as big techs não prestam serviço para esses países mais, tem país que depende desses serviços, das big techs dos Estados Unidos, em 92%. A Europa sempre teve regulações, tipo “dados de europeus têm que ficar dentro da União Europeia”, mas não com tanta ênfase como hoje, do ponto de vista de que a gente pode ficar sem nenhum serviço.
Diogo Cortiz

A frase “os Estados Unidos inovam, a China copia e a Europa regula” virou piada recorrente no mundo da tecnologia, mas esconde um ponto prático: o bloco europeu depende de tecnologia estrangeira -sobretudo a norte-americana— em áreas estratégicas.

França e Alemanha não ficaram só no debate e já restringiram o uso de ferramentas como Zoom e Meet, do Google, em órgãos públicos. A ideia é reduzir a exposição a tecnologia dos EUA e, ao mesmo tempo, incentivar desenvolvimento local, com foco em software de código aberto.

Para Cortiz, a reação é inócua se não passar pela criação de alternativas que garantam “subsistência” digital em caso de corte de acesso. A estratégia mira primeiro o Estado, porque trocar serviços no dia a dia do usuário final é mais difícil.

A soberania digital não é necessariamente substituir ou competir diretamente com as big techs, o que é muito difícil, mas ter alternativas. Alternativas para a minha subsistência. Por isso França e Alemanha estão começando olhando para o serviço público: ‘você que é funcionário público, o governo não vai usar isso’. Se as ferramentas ficarem boas, isso pode ganhar tração. Para o usuário final vai ser muito difícil: ‘por que eu vou sair do meu Gmail e ir para esse outro serviço de e-mail?’.
Diogo Cortiz

Após o caso Edward Snowden, analista da CIA que revelou a espionagem a funcionários públicos brasileiros, como a ex-presidente Dilma Rousseff e a então presidente da Petrobras, Graça Foster, o Brasil buscou desenvolver as próprias ferramentas tecnológicas para o serviço público federal. Helton cita a criação de sistemas de comunicação com “DNA brasileiro”, incluindo um aplicativo chamado “msg gov”, com criptografia de ponta a ponta e “conversas federadas”.


T LB

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