Terça-feira, 24/02/26

Executivo da Meta alertou que plano de encriptação do Messenger era “muito irresponsável”, mostra documento

Executivo da Meta alertou que plano de encriptação do Messenger era "muito irresponsável", mostra documento
Executivo da Meta alertou que plano de encriptação do Messenger – Reprodução

RISCO AUMENTADO

A criptografia de ponta a ponta — na qual a mensagem do remetente é transmitida em um formato que apenas o dispositivo do destinatário pode decodificar — é um recurso padrão de privacidade de muitos aplicativos de mensagens, incluindo o iMessage, da Apple, o Google Messages e o WhatsApp, também da Meta.

Mas defensores da segurança infantil, incluindo o Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC) dos EUA, argumentaram que a tecnologia representa um risco elevado quando incorporada a redes sociais públicas que conectam facilmente crianças ‌a pessoas que elas não conhecem.

Os documentos apresentados no Novo México mostram que os executivos seniores de segurança da Meta expressam esse mesmo receio. Mesmo com Zuckerberg afirmando publicamente que a empresa abordava os riscos do plano, os principais executivos de segurança e política expressaram internamente a sua consternação, ​com Bickert, chefe da política de conteúdo, afirmando que a empresa fazia “declarações grosseiramente erradas sobre a nossa capacidade de conduzir operações de segurança”, mostram os documentos.

“Devo dizer que não estou muito interessada em ajudá-lo a vender isso”, escreveu Bickert sobre os esforços de ‌Zuckerberg para promover a criptografia por motivos de privacidade. Com a encriptação de ponta a ponta, “não há como descobrir o planejamento de ataques terroristas ou a exploração infantil” e encaminhar proativamente esses casos às autoridades policiais, acrescentou ela.

Em um email de fevereiro de 2019, um documento informativo da Meta estimou que o total de denúncias ‌reportadas pela empresa envolvendo imagens de nudez infantil e exploração ‌sexual ao NCMEC no ano anterior teria caído de 18,4 milhões para 6,4 milhões se o Messenger tivesse sido criptografado, uma queda de 65%.


T LB

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