Domingo, 08/03/26

Família contesta versão oficial sobre brasileiro morto pela polícia nos EUA

Família contesta versão oficial sobre brasileiro morto pela polícia nos EUA
Família contesta versão oficial sobre brasileiro morto pela polícia nos – Reprodução

ISABELLA MENON
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS)

A família do brasileiro Gustavo Guimarães, 34, morto na terça-feira (3) por policiais em um estacionamento de supermercado em Powder Springs, no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, contesta a versão da polícia.

Segundo autoridades, Guimarães teria sacado uma arma durante a abordagem que resultou em sua morte. Porém, de acordo com um familiar que pediu para não ser identificado, o brasileiro estava recebendo atendimento de saúde mental no momento em que os agentes chegaram ao local –e estava calmo.

O parente disse que Guimarães não era uma pessoa agressiva e não acreditava em violência.

Além disso, havia retomado contato com parentes nas últimas semanas depois de meses sem notícias.

Ele teria comunicado que finalmente havia conseguido emprego e que estava disposto a buscar tratamento para problemas de saúde mental com os quais convivia há anos. Embora Guimarães não tenha recebido um diagnóstico formal justamente por se recusar a buscar ajuda médica, a família diz que ele apresentava sinais de esquizofrenia.

Os parentes, então, entraram em contato com duas profissionais de saúde para fazer uma triagem. O encontro foi marcado para a terça-feira em um estacionamento de supermercado –um local público, escolhido justamente para ser um ambiente neutro.

Segundo a família, durante aproximadamente uma hora, Guimarães conversou com as duas profissionais.

Ele próprio teria explicado que, em momentos de agitação ou medo, tinha o hábito de elevar o tom de voz, mas que não era uma pessoa violenta. Também contou que tinha medo de policiais.

Em determinado momento, segundo o relato do familiar, um grupo de ao menos seis policiais chegou ao local, atendendo a um chamado anônimo segundo o qual havia uma pessoa em crise de saúde mental no estacionamento.

O parente ouvido pela reportagem disse que a presença dos agentes alterou o estado emocional de Guimarães. Antes disso, segundo o relato, ele não apresentava nenhum sinal de surto.

Outra familiar que acompanhava Guimarães e que tem histórico de problemas cardíacos começou a passar mal durante a abordagem e precisou ser removida de ambulância para um hospital. Ela resistiu em deixar Guimarães com os policiais, mas os próprios agentes a convenceram a ir, garantindo que o acalmariam e o encaminhariam posteriormente para atendimento psiquiátrico.

Meia hora depois de chegar ao hospital, ela foi informada por dois policiais de que Guimarães estava morto. Segundo a versão apresentada a ela, o brasileiro estava muito agitado, e os agentes optaram por atirar.

O Departamento de Polícia de Powder Springs afirmou, em nota, que Guimarães teria sacado uma arma de fogo durante a abordagem, o que teria motivado os disparos. A família nega.

O caso está sendo investigado pelo Departamento de Investigação da Geórgia e pelo gabinete do promotor do condado de Cobb. O Ministério das Relações Exteriores informou que o Consulado-Geral do Brasil em Atlanta está em contato com a família de Guimarães.

T LB

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