Segunda-feira, 23/02/26

Fraudes, fé e poder: líderes religiosos envolvidos na roubalheira do INNS, descobertos pela CPMI.

Ilustração: Google

Investigações apontam envolvimento de grandes igrejas e pastores em esquemas fraudulentos, reacendendo o debate sobre a mercantilização da fé e o uso político da religião no Brasil.

Por: Vital Furtado

A atuação de determinados líderes religiosos (canalhas) tem provocado indignação e debate público. Pastores que um dia se apresentaram como defensores da palavra cristã e guias espirituais de seus fiéis passaram a ser acusados de utilizar a fé como instrumento de benefício próprio, afastando-se dos princípios básicos que dizem professar.

A própria doutrina cristã alerta para esse tipo de comportamento ao afirmar que nem todos os que invocam o nome de Deus herdarão o reino do céu. Em pouco tempo, esses falsos líderes, calhordas, mercenários da fé deixaram o anonimato e passaram a ser associados a práticas que lembram os comerciantes expulsos do templo por Jesus Cristo, conforme narrado nos Evangelhos.

Sem temer represália, me reporto dessa maneira, porque de acordo com investigações em curso, parte desses religiosos estão envolvidos em esquemas fraudulentos ligados ao INSS. As acusações apontam para o uso da estrutura das igrejas como meio de influência e proteção, inclusive com tentativas de interferência política.

Há relatos de pressão sobre membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS para evitar investigações mais aprofundadas ou a divulgação de nomes. O argumento apresentado seria o impacto emocional que tais revelações causariam nos fiéis das respectivas congregações.

A situação ganhou ainda mais repercussão após declarações da senadora Damares Alves, que demonstrou preocupação ao afirmar que a CPMI identificou grandes igrejas e líderes religiosos envolvidos no esquema. Para ela, o episódio representa uma grave distorção da fé e um golpe contra a confiança dos fiéis.

Como conhecedor da ética religiosa, este que vos escreve afirma que tais práticas ferem não apenas a legislação civil, mas também os fundamentos morais do cristianismo. No meu entender, a fé, não pode ser convertida em instrumento de enriquecimento ou em escudo contra a responsabilização judicial.

Muitos desses indivíduos que alguns ainda querem ser considerados “líderes” demonstram plena consciência de suas ações e das consequências espirituais e legais que podem enfrentar. Mesmo assim, seguem priorizando interesses financeiros, revelando uma relação cada vez mais distante dos valores que pregam publicamente, mesmo pregando o que não vivem e não vivem a Palavra que pregam.

O caso reacende o debate sobre a mercantilização da fé no Brasil, onde vocações espirituais estariam sendo transformadas em carreiras lucrativas. Ministérios passam a operar como ‘empresas’, púlpitos assumem função de ‘balcões de negócio’ e a crença dos fiéis, segundo denúncias, torna-se apenas uma mercadoria”.

Redação do Correio de Santa Maria /Por Vital Furtado

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