Domingo, 01/03/26

Gigante chinês pede para Cade intervir em leilão de megaterminal em Santos

Gigante chinês pede para Cade intervir em leilão de megaterminal em Santos
Gigante chinês pede para Cade intervir em leilão de megaterminal – Reprodução

Em um gesto de pressão política, a armadora chinesa Cosco protocolou pedido para que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) se manifeste quanto ao leilão do Tecon 10, o megaterminal do porto de Santos.

A multinacional, interessada na concessão do ativo, quer que a autarquia federal reafirme não haver preocupação concorrencial em uma eventual integração vertical do novo terminal; assegure a “desnecessidade de se impor limitação à participação de armadores, notadamente os não incumbentes no porto de Santos”; e ressalve a própria competência e prerrogativa para analisar os efeitos concorrenciais da eventual vitória de um armador.

A reportagem questionou o Cade sobre o assunto, mas não houve resposta até o momento.

Trata-se da segunda ofensiva do gigante chinês sobre o leilão. Neste mês, ela já havia enviado solicitação de revisão ao TCU (Tribunal de Contas da União).

A Cosco foi uma das empresas estrangeiras surpreendidas pelo acórdão do Tribunal, que recomendou realizar o leilão do Tecon 10 em duas fases, proibindo a participação de qualquer armador na rodada inicial.

Foi uma decisão ainda mais restritiva do que a proposta pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários). A modelagem da reguladora era favorável também ao certame faseado, mas excluindo da primeira apenas armadores que atualmente sejam donos de terminais em Santos: Maersk, MSC e CMA CGM.

O Ministério de Portos e Aeroportos, diante da pressão de operadores internacionais, já adiou repetidas vezes o leilão. O prazo atual é que aconteça em abril. Para isso, o edital tem de ser publicado no Diário Oficial em março. São necessários 30 dias úteis depois disso para que a B3 realize a concessão.

Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), ministro de Portos, disse que o governo respeitaria integralmente a recomendação do TCU.

“A Cosco entende que o TCU somente poderia chancelar cláusulas restritivas de participação quando lastreadas em estudos concorrenciais robustos do SBDC [Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência] que demonstrem, no caso concreto, que não há alternativas menos gravosas”, afirma o pedido chinês.

A companhia chinesa argumenta que o Cade já havia concluído que a verticalização [quando a mesma empresa é dona do navio, do terminal e faz a movimentação das cargas] não é suficiente para intervenção de autoridades antitruste. Afirma que a entrada de armadores sem ativos em Santos não elevaria a concentração de mercado, ampliaria a competição entre terminais e potencializaria eficiência logística.

Quando o edital for publicado, a realização do leilão será contestada na Justiça por MSC e Maersk. Os dois armadores europeus consideram que as restrições não foram debatidas em audiência pública e não se justificam. Eles desejam leilão em apenas uma fase, liberado para todos os interessados.

Para o TCU, há uma saída honrosa para o governo federal. O Tribunal não considerou ilegal a modelação da Antaq. A corte não contestaria caso a restrição se aplicasse apenas aos atuais donos de terminais em Santos, como deseja a Cosco.

O QUE É O TECON 10

O megaterminal será instalado em uma área no bairro do Saboó, em Santos, de 622 mil metros quadrados. O projeto é que seja multipropósito, movimentando contêineres e carga solta. O vencedor do leilão será definido pelo modelo da maior outorga: ganha quem oferecer mais dinheiro pelo direito de construí-lo e operá-lo.

A capacidade vai chegar a 3,5 milhões de TEUs por ano (cada TEU representa um contêiner de 20 pés, ou cerca de 6 metros). Será o maior terminal do tipo no país.

Serão quatro berços, como são chamados os locais de atracação do navio para embarque e desembarque. A previsão de investimento nos 25 anos de concessão pode chegar a R$ 40 bilhões.

T LB

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