Renato Marques tinha 30 anos quando foi diagnosticado com glaucoma. Sem entender a gravidade, interrompeu o tratamento e, seis anos depois, descobriu que a doença havia avançado. O caso ilustra a natureza silenciosa da condição, considerada a principal causa de cegueira irreversível no mundo e que motiva a Semana Mundial do Glaucoma, entre 8 e 14 de março, para reforçar a importância do diagnóstico precoce.
Ele procurou um oftalmologista para uma consulta simples de medição de grau dos óculos e recebeu o diagnóstico. “Achei que estava curado”, relembra sobre ter usado o colírio prescrito por apenas um mês.
Seis anos depois, ao retornar ao consultório para uma nova avaliação, descobriu que a doença havia avançado. “O médico explicou a gravidade da doença. Se eu soubesse antes que era algo tão sério, teria cuidado melhor e talvez evitado essa situação. Agora faço exames todos os anos”, conta.
O glaucoma provoca a degeneração progressiva do nervo óptico e a perda permanente da visão. A doença costuma evoluir de forma silenciosa e, na maioria das vezes, sem apresentar sintomas nas fases iniciais.
Segundo o oftalmologista Edney Resende Moura Filho, do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), cerca de 90% dos pacientes não percebem sinais da doença no início.
Prevenção e diagnóstico do glaucoma
O glaucoma é caracterizado pela lesão progressiva do nervo óptico, frequentemente associada ao aumento da pressão intraocular. Embora possa atingir pessoas de qualquer faixa etária, o risco aumenta com o avanço da idade. “A única forma de identificar a doença precocemente é por meio de consultas regulares com o oftalmologista”, explica Edney.
Estimativas indicam que cerca de metade das pessoas com glaucoma no mundo não sabem que têm a condição. Especialistas recomendam atenção redobrada para pessoas com fatores de risco, que devem manter acompanhamento oftalmológico regular. Entre os principais fatores estão:
- Histórico familiar;
- Idade acima de 40 anos;
- Uso prolongado de medicamentos à base de corticoide;
- Traumas oculares prévios.
A perda visual costuma ocorrer de forma gradual e silenciosa. “Nem sempre começa obrigatoriamente pela visão periférica, mas é comum que o paciente já apresente perda de campo visual sem perceber, especialmente nas fases iniciais”, pontua o especialista.
Ao contrário da catarata, o glaucoma pode surgir em qualquer idade, inclusive na infância. Foi o caso de Juliana Luzia de Souza, que nasceu com a doença devido a um fator genético. A suspeita surgiu nos primeiros dias de vida, e ela passou pela primeira cirurgia aos três dias de vida. Hoje, aos 30 anos, já fez sete cirurgias e perdeu a visão do olho direito, mantendo apenas percepção de luz.
“Como não tive a chance de fazer exames preventivos antes do diagnóstico, sei o quanto é importante realizar consultas regulares. Assim é possível identificar a doença mais cedo e evitar que o quadro se agrave”, relata ela.
Acompanhamento contínuo do glaucoma
A adesão ao tratamento é um dos principais desafios no controle do glaucoma. De acordo com o oftalmologista, a ausência de sintomas faz com que muitos pacientes interrompam o uso das medicações. Embora não tenha cura, o glaucoma pode ser controlado com acompanhamento médico e tratamento adequado.
“Muitas pessoas param de usar o colírio por não perceberem melhora imediata ou por causa de efeitos colaterais, como irritação ocular; mesmo assim, o uso regular da medicação é essencial para evitar a progressão da doença”, orienta o médico.
Atendimento
Em caso de suspeita de glaucoma ou de qualquer alteração na visão, é importante procurar avaliação médica. No Distrito Federal, o primeiro passo é buscar atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Após a avaliação inicial, caso seja necessário, o paciente será inserido no sistema de regulação e encaminhado para atendimento especializado.
Consultas oftalmológicas regulares são a principal forma de prevenir a perda de visão causada pelo glaucoma. O diagnóstico precoce permite controlar a doença e reduzir o risco de cegueira.
*Com informações do IgesDF








