Domingo, 22/03/26

grupos recrutam jovens e lucram

grupos recrutam jovens e lucram
grupos recrutam jovens e lucram – Reprodução

Meninos cada vez mais jovens sofrem recrutamento da chamada machosfera. O termo engloba fóruns na internet, canais de vídeos, grupos de mensagens instantâneas e perfis em redes sociais voltados para defesa de um padrão conservador de masculinidade e de oposição aos direitos femininos.

Acontece um recrutamento muito pesado. Comecei a pesquisar o [app] Discord e vi que eram meninos cada vez mais novos, entre 12 e 14 anos. Fiquei muito chocada, porque estava acostumada com adolescentes mais velhos, mas, principalmente, adultos.
Lola Aronovich, ativista e professora que sofre ataques virtuais há anos e passou a estudar o grupo

Atração para esse discurso é gradual, e a sondagem começa a partir da reação de meninos a ideias misóginas. “Por exemplo, no meio da conversa, ao falar de mulheres, vão usar expressões como ‘vagabundas’ e ver como esse menino reage. Ao perceberem uma abertura, continuam a cooptação”, explica Lola.

Mensagens usam a linguagem dos memes e o humor para fragilizar resistências. “É um universo de mensagens de fácil assimilação”, explica Dantas.

Comunidades virtuais se apresentam como autoajuda, mas difundem ódio às mulheres. Pesquisadora de estudos de gênero da Fundação Getulio Vargas (FGV), Julie Ricard mapeou as estratégias de recrutamento para grupos misóginos no Telegram e identificou 85 comunidades abertas, o que para ela significa “a ponta do iceberg”.

Há aquelas explicitamente misóginas e outras se apresentam como espaços de autoajuda ou desenvolvimento econômico, de vida fitness. Nesses casos, os jovens acessam conteúdos que parecem neutros, mas encontram narrativas de ressentimento contra mulheres.”
Julie Ricard


T LB

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