A Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e mais nove entidades do setor enviaram ofícios à Casa Civil e aos ministérios da Fazenda, do Planejamento e das Relações Institucionais pedindo uma saída emergencial para a disparada dos preços de insumos.
A proposta é a edição de um normativo temporário que fixe uma referência de variação dos índices contratuais em patamar considerado “justo e suportável” e permita reajustes mensais enquanto durar a excepcionalidade.
As entidades afirmam que os aumentos, impulsionados por choques recentes como a guerra no Irã, já desequilibram contratos assinados sob inflação anual de 4% a 5%. Hoje, dizem, essa variação ocorre em ritmo mensal no setor.
“Infelizmente, o aumento da inflação, somado a esses imensos e imprevisíveis acréscimos dos preços dos insumos (asfálticos e diesel), gera uma perda insuportável dos valores iniciais do contrato, devido ao reajustamento só se aplicar a cada ano, e não mais em cada adimplemento das parcelas”, diz o documento.
Sem intervenção, a construção civil projeta um cenário com rescisões de contratos, paralisação de obras, demissões e licitações sem interessados. A avaliação do setor é que uma medida emergencial ajudaria a evitar um efeito em cadeia sobre mais de 90 setores e preservar o ritmo dos investimentos em infraestrutura.
“O efeito se multiplica na medida em que as empresas deverão cancelar seus contratos com seus fornecedores, inclusive com caminhoneiros contratados para efetuarem o frete dos insumos”, afirma o documento enviado aos ministros.
“O momento é excepcional, e como tal, requer medida de caráter excepcional que possa ao menos reverter parcialmente os riscos apontados”, apela o setor.
O movimento das entidades ocorre em um momento de recuperação do setor. Até a guerra no Irã, a Cbic projetava crescimento de 2% em 2026, após desaceleração no ano passado sob juros elevados, sustentado por expectativa de crédito maior e investimentos em habitação e infraestrutura.








