Quinta-feira, 05/03/26

Guerra no Oriente Médio atrasa impacto nos preços de combustíveis no Brasil

Guerra no Oriente Médio atrasa impacto nos preços de combustíveis no Brasil
Guerra no Oriente Médio atrasa impacto nos preços de combustíveis – Reprodução

O impacto da guerra no Oriente Médio nos preços de gasolina e diesel pagos pelo consumidor brasileiro pode demorar a se manifestar. A avaliação é do presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy.

O petróleo registrou forte alta nos últimos dias, após os ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, no sábado (28), e as retaliações iranianas contra Tel Aviv e bases americanas em países produtores da região. No entanto, as refinarias mantêm estoques de petróleo, o que impede mudanças imediatas nos preços.

“Na medida em que esse petróleo mais caro chegar às refinarias, elas tenderão a transferir esse custo para os contratos novos, porque nos contratos já firmados o preço anterior é garantido”, explicou Ardenghy à Agência Brasil. Ele estima que o processo pode durar até seis meses, sem alterações de curto prazo para o consumidor.

A incerteza sobre a continuidade do conflito, incluindo um possível bloqueio do Estreito de Ormuz, contribui para o atraso no impacto. Alta sustentada nos preços do petróleo dependeria da escalada do confronto ou da interrupção de rotas de exportação.

Sobre o Estreito de Ormuz, principal passagem para o petróleo do Oriente Médio, Ardenghy pondera que rotas alternativas existem. Países como Iraque, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos podem redirecionar exportações via Turquia ou oleodutos para o Mar Vermelho, preservando parte do fluxo. Assim, não há expectativa de mudança estável nos preços nos próximos 60 a 90 dias.

O Brasil se destaca como produtor relevante no mercado global. A produção nacional atingiu 3,8 milhões de barris por dia em 2025, com exportações de 1,7 milhão de barris. O país é o nono maior produtor e exportador mundial de petróleo, com potencial para expansão em áreas como a Margem Equatorial e a Bacia de Pelotas.

Ardenghy vê oportunidade para o Brasil suprir eventuais escassezes no Oriente Médio e diversificar fluxos globais. Países asiáticos, dependentes da região, podem buscar novas fontes, beneficiando produtores confiáveis como o Brasil, que abriga grandes empresas internacionais e a experiente Petrobras.

Manter a atividade petrolífera e a pesquisa geológica é essencial para garantir segurança energética e gerar divisas com exportações, protegendo a economia brasileira de tensões globais.

*Com informações da Agência Brasil

T LB

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