Os direitos humanos estão sob ataque em todo o mundo, alertou o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, nesta segunda-feira (23), em discurso na abertura do Conselho de Direitos Humanos em Genebra. Ele citou abusos generalizados do direito internacional e o sofrimento devastador da população civil em conflitos no Sudão, em Gaza e na Ucrânia.
“O Estado de Direito está sendo substituído pelo Estado de Força”, disse Guterres. “Em todo o mundo, os direitos humanos estão sendo reprimidos de forma deliberada, estratégica e, às vezes, orgulhosa”, acrescentou.
O chefe de Direitos Humanos da ONU, Volker Turk, afirmou que a instituição está em “modo de sobrevivência” devido a cortes de financiamento e pressões sobre especialistas, incluindo o desligamento dos Estados Unidos. O país, maior doador da organização, pagou apenas US$ 160 milhões dos mais de US$ 4 bilhões devidos, segundo um porta-voz da ONU na semana passada.
“As necessidades humanitárias estão explodindo enquanto o financiamento entra em colapso”, declarou Guterres. Turk destacou que o mundo enfrenta a mais intensa competição por poder e recursos desde a Segunda Guerra Mundial, em meio a violações generalizadas dos direitos humanos. Ambos pediram o fim dos abusos nos conflitos no Sudão, em Gaza, Mianmar e na Ucrânia.
Um diplomata, sob condição de anonimato, mencionou que, apesar do apoio de alguns Estados-membros para fortalecer o sistema de direitos humanos, o financiamento permanece um desafio. A ONU afirma que a falta de recursos impediu que duas investigações iniciadas em 2025 — uma sobre possíveis crimes de guerra na República Democrática do Congo e outra sobre abusos no Afeganistão — entrassem em operação.
Guterres também alertou para violações flagrantes do direito internacional nos territórios palestinos ocupados, que ameaçam a viabilidade de um Estado palestino. “A solução de dois Estados está sendo destruída em plena luz do dia. A comunidade internacional não pode permitir que isso aconteça”, afirmou.
Este mês, o gabinete de Israel aprovou as últimas medidas para reforçar o controle de Israel sobre a Cisjordânia ocupada e facilitar a compra de terras pelos colonos, uma iniciativa que os palestinos chamaram de “anexação de fato”.








