O dev perdeu o medo de ser demitido. Não importava se ele estava estudando ou não, se estava entregando 20% do que era necessário. Por quê? Porque a empresa precisava desse cara para colocar a plataforma no ar, para desenvolver mais features. Quando a gente teve poucos devs para uma demanda gigantesca, esse cara se sentiu: ‘Tá todo mundo me querendo. Se eu colocar R$ 2.000 a mais no meu salário e o meu gestor não quiser pagar, eu tenho dez empresas que querem pagar’.
Paulo Pelaez
Segundo ele, esse “conforto” apareceu num recorte específico: a corrida pela digitalização acelerada, que aumentou a disputa por talentos e abriu espaço para exigências incomuns, inclusive em vagas de estágio, como salários mais altos e condições de trabalho mais flexíveis.
Eu comecei a programar em 2007. Como eu consegui meu primeiro estágio? Eu tinha que ter cinco linguagens de programação e o estágio não era remunerado. Eu me achava porque pagava a minha passagem de ônibus. E, na época da pandemia, a gente via na nossa plataforma estágios abertos com R$ 3.000, home office, kit Mac, tela de 34 polegadas, não existia seis horas de expediente, tinha que ser quatro. A ordem das coisas foi invertida.
Paulo Pelaez
A consequência, diz o executivo, foi uma escalada salarial descasada de um incremento de habilidades.
A gente teve candidatos na nossa plataforma que entraram ganhando R$ 4.000 em janeiro e, em dezembro, estavam ganhando R$ 12.000. Três vezes mais em 12 meses. Isso não acompanha a senioridade que o profissional alcança. Eu começo a contratar não quem eu preciso, mas quem entrega mais ou menos o que eu preciso.
Paulo Pelaez
A IA mudou a régua da produtividade. Se antes o trabalho era medido em horas —”quanto custa a hora de desenvolvimento”—, ferramentas de IA reduziram o tempo para executar tarefas rotineiras no dia a dia do programador.







