Sexta-feira, 27/03/26

IGR nega envolvimento após acusações nas redes

IGR nega envolvimento após acusações nas redes
IGR nega envolvimento após acusações nas redes – Reprodução

Confusão

Instituto Goiano de Radiologia afirma que não tem relação com tragédia com Césio, que matou quatro pessoas e contaminou 249

Imagem: Divulgação Netflix

Acusado nas redes sociais de envolvimento com o acidente com o Césio-137, em Goiânia, o Instituto Goiano de Radiologia (IGR) está no centro de uma confusão que relaciona a unidade com o antigo e extinto Instituto Goiano de Radioterapia (IGR), cujo prédio abandonado foi palco da origem do problema radiológico, em 1987. A exposição equivocada ocorre em meio à repercussão da séria Emergência Radioativa, feita pela Netflix para abordar o caso. Em nota, o atual IGR negou qualquer ligação com acidente.

“Gostaríamos de esclarecer, de forma transparente, que o Instituto Goiano de Radiologia (IGR) não possui qualquer ligação com o acidente ocorrido em Goiânia em 1987 com o Césio-137, tampouco com o antigo Instituto Goiano de Radioterapia, local onde o ocorrido teve origem”, informou. A unidade ressalta que as duas instituições são distintas e não possuem qualquer relação histórica ou administrativa.

“Somos instituições distintas, com histórias, equipes e propósitos completamente diferentes. Desde a nossa fundação, em 1951, prezamos rigorosamente pela segurança, ética e qualidade em todos os nossos serviços”, acrescenta a nota.

Diante da repercussão recente, o IGR reforçou que reconhece a gravidade do acidente , entende a dor das vítimas e que segue normas rigorosas de segurança. “Seguimos todas as normas e regulamentações vigentes, adotando protocolos modernos e seguros para garantir o bem-estar de nossos pacientes e colaboradores”, destacou.

O acidente com o Césio-137 é considerado o maior desastre radiológico do mundo fora de usinas nucleares. O caso começou em 13 de setembro de 1987, quando dois catadores de recicláveis encontraram um aparelho de radioterapia abandonado nas ruínas do antigo Instituto Goiano de Radioterapia, então sob responsabilidade do Estado de Goiás.

Ao desmontar o equipamento, eles tiveram acesso a uma cápsula que continha Césio-137, material altamente radioativo. Sem conhecimento do risco, o objeto foi levado para um ferro-velho e aberto, o que espalhou o pó contaminado.

O brilho do material chamou a atenção de moradores, que chegaram a manusear e compartilhar entre familiares e vizinhos. Dias depois, começaram a surgir sintomas como vômitos, tontura e diarreia.

Contaminação em larga escala

O alerta oficial só foi feito semanas depois, em 29 de setembro daquele ano. A partir daí, autoridades iniciaram uma operação de emergência. Mais de 110 mil pessoas passaram por triagem, muitas delas submetidas a processos de descontaminação.

Ao todo, 249 pessoas tiveram contaminação significativa confirmada, e quatro mortes foram registradas sendo Maria Gabriela Ferreira, Leide das Neves Ferreira, Israel Baptista dos Santos e Admilson Alves de Souza.

Leide das Neves foi uma das vítimas mais emblemáticas do acidente com o Césio-137, em Goiânia (Foto: reprodução/arquivo pessoal)

Além das vítimas diretas, o acidente deixou sequelas físicas e psicológicas em sobreviventes e exigiu a descontaminação de casas, ruas e objetos. Áreas inteiras foram isoladas e materiais precisaram ser removidos.

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T LB

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