Terça-feira, 03/03/26

Influenciadores levam homens a usar testosterona sem necessidade

Redes sociais e a busca por terapias sem necessidade

A popularização de vídeos sobre uma suposta “baixa testosterona” nas redes sociais tem levado homens a procurar terapias hormonais sem indicação clínica. Endocrinologistas do NHS, no Reino Unido, alertam que o uso indevido da testosterona pode causar infertilidade e riscos importantes à saúde, segundo o jornal The Guardian.

Médicos relatam crescimento de atendimentos a pacientes influenciados por conteúdos online que prometem ganhos de desempenho associados ao hormônio.

Como influenciadores impulsionam exames e tratamentos de testosterona

Vídeos no TikTok e Instagram vêm apresentando a testosterona como um “suplemento de desempenho”. Muitos criadores promovem exames de sangue como porta de entrada para a terapia, ignorando que o uso do hormônio exige prescrição médica e diagnóstico confirmado.

Segundo a matéria, homens jovens, frequentemente saudáveis, chegam a clínicas públicas após realizarem testes em serviços privados divulgados por influenciadores.

O que dizem os especialistas do NHS

Para Chana Jayasena, presidente da Rede de Andrologia da Sociedade de Endocrinologia do Imperial College London, “endocrinologistas do Reino Unido estão atendendo pacientes dessas clínicas semanalmente, e isso afeta o atendimento do NHS”.

TRT: terapia cara e com evidências limitadas para testosterona

A terapia de reposição de testosterona (TRT) em clínicas privadas custa entre £ 1.800 e £ 2.200 por ano (cerca de R$ 12 mil a R$ 15 mil), incluindo consultas, medicação e acompanhamento. Especialistas alertam que muitos iniciam o tratamento mesmo com níveis hormonais normais.

Além de ser ineficaz para quem não apresenta deficiência, o uso inadequado pode suprimir a produção natural do hormônio e trazer complicações de saúde.

Principais alertas sobre o uso indevido

  • Supressão da produção natural de testosterona pelo organismo;
  • Aumento do risco de infertilidade e de coágulos sanguíneos;
  • Possíveis problemas cardíacos e transtornos de humor;
  • Ineficácia em homens com níveis hormonais dentro da normalidade;
  • Atendimento, em alguns casos, a pacientes com menos de 18 anos.

Desinformação sobre testosterona e riscos à saúde pública

A publicidade de medicamentos controlados é proibida no Reino Unido e no Brasil, mas a apuração do The Guardian identificou influenciadores que promovem exames laboratoriais em parceria com clínicas privadas, com códigos de desconto e sorteios, incentivando seguidores a “assumirem o controle” do corpo.

De acordo com Jayasena, não há evidência de benefícios ao manter níveis acima de 12 nmol/L em quem não tem deficiência. O fenômeno se conecta à chamada “manosfera digital”, que associa masculinidade à alta testosterona, ampliando pressões estéticas e de desempenho — e sobrecarregando serviços públicos de saúde.

Panorama e cuidados com a testosterona

O crescimento de conteúdos virais tem normalizado o uso da testosterona como se fosse um suplemento, apesar dos alertas clínicos sobre riscos e da exigência de prescrição. Em contextos de saúde pública, a difusão de informações enganosas desloca recursos e expõe pacientes a tratamentos desnecessários.

Fontes e referências

Por Correio de Santa Maria, com informações de: Olhar Digital https://olhardigital.com.br/2025/11/11/medicina-e-saude/influenciadores-levam-homens-a-usar-testosterona-sem-necessidade/.

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