Segunda-feira, 09/03/26

Irã nomeia filho de Khamenei como novo líder supremo

Irã nomeia filho de Khamenei como novo líder supremo
Irã nomeia filho de Khamenei como novo líder supremo – Reprodução

Os clérigos governantes do Irã nomearam neste domingo Mojtaba Khamenei, filho do falecido Ali Khamenei, como novo líder supremo do país, desafiando as ameaças de Estados Unidos e Israel de não aceitar o novo nome.

No nono dia de guerra, os clérigos chegaram a um consenso. A Assembleia de Especialistas destacou que “não hesitou nem um minuto” em eleger um novo líder.

Na última semana, vários nomes circularam para o cargo, reservado a um religioso, incluindo o de Mojtaba, 56, considerado uma das personalidades mais influentes do país.

O presidente americano, Donald Trump, insistiu mais cedo em que deveria ter voz na escolha do novo líder. “Se não tiver a nossa aprovação, não vai durar muito”, declarou ao canal ABC News.

O povo iraniano, e não Donald Trump, deve escolher seu novo líder, rebateu hoje o ministro das Relações Exteriores do Irã, que exigiu um pedido de desculpas do presidente americano por iniciar a guerra no Oriente Médio.

“Não permitimos que ninguém interfira em nossos assuntos internos. É responsabilidade do povo iraniano escolher seu novo líder”, disse Abbas Araghchi no programa “Meet the Press”, do canal NBC, onde acrescentou que o presidente republicano “deveria pedir desculpas ao povo da região e ao povo iraniano pelos assassinatos e pela destruição que provocaram”.

Bombardeios

O Irã continuava enfrentando intensos bombardeios em Teerã e em outras cidades, como Isfahan e Yazd, no centro do país. Uma espessa coluna de fumaça cobria a capital iraniana neste domingo.

Israel bombardeou quatro depósitos de combustível na região de Teerã, o primeiro ataque relatado contra instalações petrolíferas do país desde o início da guerra. O Exército israelense também afirmou que atacou o quartel-general da força espacial da Guarda Revolucionária.

Ali Mohammad Naini, porta-voz da Guarda Revolucionária, disse que as “Forças Armadas são capazes de prosseguir por pelo menos seis meses de guerra intensa no ritmo atual das operações”.

O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Ari Larijani, afirmou que os Estados Unidos se enganaram ao prever uma resistência de curta duração.

“Achavam que seria como na Venezuela: atacariam, tomariam o controle e acabaria”, afirmou.

Deslocados no Líbano

No Líbano, arrastado para a guerra na última segunda-feira, depois que a milícia pró-Irã Hezbollah lançou um ataque contra Israel para “vingar” a morte de Khamenei, bombardeios israelenses voltaram a estremecer Beirute.

No coração da capital, forças israelenses bombardearam o hotel Ramada, uma operação que deixou quatro mortos e dez feridos, segundo o Ministério da Saúde libanês.

Israel anunciou um “ataque de precisão” contra comandos importantes da Força Quds, o braço de operações da Guarda Revolucionária iraniana no exterior.

O balanço atualizado de mortos no Líbano desde o início dos ataques, na segunda-feira, subiu para 394, incluindo 83 crianças e 42 mulheres, segundo o Ministério da Saúde. No total, 517 mil pessoas foram deslocadas.

Mortos na Arábia Saudita

O Exército israelense afirma que efetuou 3.400 ataques desde o início da guerra. Washington divulgou 3.000.

O regime iraniano responde com bombardeios com mísseis e drones contra Israel e os países do Oriente Médio que abrigam interesses americanos.

Na Arábia Saudita, segundo maior produtor mundial de petróleo, um projétil deixou 2 mortos e 12 feridos na província de Al-Jarj, vizinha à capital, Riade.

A Guarda Revolucionária, exército ideológico iraniano, anunciou o lançamento de mísseis contra as cidades israelenses de Tel Aviv e Beersheva, assim como contra uma base aérea na Jordânia.

Os tanques de combustível do aeroporto internacional do Kuwait foram atacados por drones, e uma planta de dessalinização no Bahrein foi danificada em um ataque.

T LB

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