Sábado, 17/01/26

Itália aprova lei que centraliza em Roma processos de cidadania por direito de sangue

Itália aprova lei que centraliza em Roma processos de cidadania por direito de sangue
Itália aprova lei que centraliza em Roma processos de cidadania – Reprodução

FOLHAPRESS

A Itália aprovou nesta semana um projeto que retira dos consulados que representam o país no exterior a função de receber e analisar pedidos de reconhecimento da cidadania por direito de sangue. O texto prevê que, a partir de 2029, as solicitações serão concentradas em Roma, no Ministério das Relações Exteriores.

Apresentado pelo governo, com os nomes da primeira-ministra Giorgia Meloni e do vice-premiê Antonio Tajani, o texto foi aprovado no Senado, na última quarta-feira (14), com 76 votos a favor, e 55 contrários.

Antes, em outubro de 2025, já havia sido chancelado na Câmara dos Deputados.

A documentação exigida para comprovar o direito à cidadania deverá ser enviada à Itália em papel, pelo correio. Os custos serão pagos pelo autor do pedido.

Atualmente, quem mora no exterior pode apresentar o pedido e entregar a documentação nos consulados, que realiza a análise. A Itália possui 83 escritórios consulares pelo mundo, dos quais 7 no Brasil -Brasília, São Paulo, Rio, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Recife. Todos os pedidos que hoje são gerenciados por essas repartições passarão a ser concentrados em um único escritório, em Roma.

Outra mudança é a ampliação do prazo para a conclusão do procedimento, que sobe oficialmente de dois para três anos. Na prática, porém, alguns consulados, como o de São Paulo, chegam a ter pedidos que ficam na fila de espera por mais de dez anos.

A justificativa do governo para a nova lei é a necessidade de diminuir o volume de procedimentos que tramitam nos consulados, que nos últimos anos viram aumentar o interesse de descendentes pela cidadania, especialmente no Brasil e na Argentina.

No Brasil, existem mais de 870 mil cidadãos italianos residentes, como expatriados ou com dupla cidadania, sendo que 96% nasceram fora da Itália. Estima-se que os descendentes sejam mais de 30 milhões, resultado da onda de emigração da Itália a partir do fim do século 19.

O relatório técnico que embasou a nova lei apontou que, em 2022 e 2023, houve crescimento de 27% de pedidos de cidadania por direito de sangue concluídos em todos os consulados do mundo. No mesmo período, houve alta de 112% nos pedidos que ficaram pendentes.

O projeto de lei não altera outros tipos de pedidos de cidadania, como por casamento, que continuarão a ser recebidos pelos consulados, assim como solicitações referentes a filhos menores de idade de quem já tem a cidadania reconhecida.

T LB

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