A arte afro-brasileira de Jaime Lauriano, reconhecido por sua profunda análise das marcas da colonização portuguesa e do racismo institucionalizado na sociedade brasileira, ganha destaque em diversas frentes. O artista multimídia, conhecido como “artista-cartógrafo”, utiliza pinturas, objetos, esculturas, instalações e murais para mapear e questionar as narrativas da história oficial, especialmente no que diz respeito às minorias afrodescendentes e indígenas.
Lauriano, que também é coautor da “Enciclopédia negra: Biografias afro-brasileiras” (2021), lançará o livro “Jaime Lauriano – Mapeando” (Nara Roesler Books, 2025). O lançamento em São Paulo acontecerá na Livraria Megafauna no Copan, com um bate-papo entre o artista, Sylvia Monasterios e Tadeu Chiarelli. No Rio de Janeiro, o lançamento da monografia será na galeria Nara Roesler, onde Lauriano expõe sua individual “Jaime Lauriano: Eu estou aqui com toda minha gente” até meados de dezembro.
Sylvia Monasterios destaca a transcendência da obra de Lauriano, afirmando que ela “tece conexões urgentes com as múltiplas geografias da diáspora africana”, indo além da denúncia das violências do colonialismo brasileiro. Tadeu Chiarelli complementa, questionando se os trabalhos de Lauriano não seriam “a confirmação dessa necessidade de que, no campo das artes visuais, o artista afrodescendente reescreva a história e a história da arte a partir da problematização da retórica visual ocidental”.
Com exposições internacionais em países como Estados Unidos e Rússia, Lauriano também integra a coletiva “Debret em questão – olhares contemporâneos”, que faz parte da Temporada França–Brasil 2025. A mostra será inaugurada no Museu do Ipiranga, em São Paulo, com curadoria de Jacques Leenhardt e Gabriela Longman.
Em sua exposição individual na galeria no Rio de Janeiro, Lauriano apresenta obras como:
Penca 3, 2025: Inspirada nas pencas de balangandãs, joias crioulas dos séculos 18 e 19, a série busca homenagear a cultura afro-brasileira e sua resistência através da história do Brasil.
Na Bahia é São Jorge, no Rio São Sebastião, série Recanto, 2023: Uma homenagem a Heitor dos Prazeres, a obra refaz uma paisagem urbana do Rio, incorporando as ferramentas de orixás e elementos do período colonial.
Sem título (Senhor da noite e do dia), 2025: Inspirada na tela “Quilombismo (Exu e Ogum)” de Abdias do Nascimento, a obra utiliza preto, vermelho e fita adesiva reflexiva prateada para simbolizar Exu e o espelho.
A new and accurate map of the world: democracia racial, êxodo, genocídio e invasão, 2025: A série recria as navegações e o “descobrimento do novo mundo” a partir de mapas e cartas náuticas, explorando a representação do sistema de colonização e a exploração do pau-brasil com mão de obra indígena.
A Galeria Nara Roesler, fundada em 1989, expandiu sua atuação com filiais no Rio de Janeiro e Nova York.
Fonte: forbes.com.br








