INVESTIGAÇÃO
Relatos de outras famílias e ex-funcionários apontam supostos maus-tratos. Escola nega irregularidades e diz que acusação é infundada
Mãe denuncia agressão após filho de 3 anos ser mordido por diretora de berçario em Goiânia (Foto: Aquivo Pessoal/Bruna Araújo)
Uma mãe denunciou que o filho, de 3 anos, foi mordido pela diretora dentro de um berçário no Setor Jardim Planalto, em Goiânia . Segundo ela, o caso ocorreu depois de a criança morder uma colega e, como “punição”, teria recebido uma mordida de volta. A família afirma que o exame de corpo de delito confirmou lesão compatível com mordida de adulto. A instituição negou qualquer crime. O caso foi levado ao Conselho Tutelar e é investigado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).
A mãe, identificada como Bruna Araújo, relatou que perguntou ao filho de onde surgiu a marca e ele respondeu o nome da diretora. “Perguntei para quem tinha feito e ele disse ‘tia Aline’. Era uma mordida de 6 centímetros que foi comprovada em exame, com marca de dentes formados, sem falhas. Mordida de adulto. Isso não pode ficar impune”, declarou.
Ela disse ainda que o filho afirmou ter sido ameaçado para não relatar a agressão. “Ele disse que mandaram não falar nada, senão a mamãe também seria mordida”, conta.
Relatos de maus-tratos
Bruna contou que o menino estuda no berçário desde os 8 meses e que já havia notado marcas anteriormente. “Ele sempre chegava com sinais nas costas quando mandávamos cadeirinha. Questionamos a escola e disseram que não colocavam. Ficamos na dúvida porque as professoras eram carinhosas com ele”. Segundo a genitora, depois da denúncia pública, outras famílias e ex-funcionários teriam procurado a família relatando situações semelhantes.
De acordo com a mãe, algumas pessoas disseram que crianças apareceram com machucados como hematomas no rosto, corte abaixo do olho e marcas na testa. Uma ex-funcionário da unidade relatou: “Nós adultos sabemos lidar com certas coisas, mas as crianças não mereciam passar por isso. Ela (diretora) gritava, apertava o braço deles e rasgava atividades quando erravam”.
Outra mulher que também prestou serviços ao berçário entrou em contato com Bruna e reforçou que a diretora costumava gritar com crianças e funcionários, além de aplicar punições. “Quando uma criança mordia outra, ela mandava a que foi mordida morder de volta”, disse a mulher, conforme a mãe.
Uma terceira ex-funcionária também afirmou que os colaboradores eram intimidados a não comentar episódios de maus-tratos e que a diretora mencionava o marido policial como forma de pressão.
Bruna afirma que recebeu mensagens da diretora dizendo que provaria inocência e resolveria a situação. A mãe também acusa a gestora de fazer ameaças à família, o que será incluído nas apurações.
Berçário afirma que relatos são falsos
Em nota, o Berçário Escola Sonharte declarou que as informações divulgadas são falsas. “Recebemos uma denúncia que, após análise cuidadosa, não condiz com a verdade dos fatos. Prezamos pela ética e pela proteção integral das crianças, que sempre foram nossa prioridade”, diz o comunicado. A instituição afirmou ainda que adotou medidas jurídicas para preservar sua imagem.
O advogado do berçário, Danilo Vasconcelos, reforçou a versão. “A escola funciona há vários anos com lisura e bom tratamento. Os funcionários passam por capacitação constante. Trata-se de uma acusação isolada e infundada, que a investigação mostrará não ter ocorrido”, afirmou.
A Polícia e os órgãos de proteção acompanham o caso. Até o momento, não há conclusão oficial sobre as denúncias.








