Segunda-feira, 02/03/26

Manutenção de provas do caso Master no STF pode afetar investigação, dizem peritos

Manutenção de provas do caso Master no STF pode afetar investigação, dizem peritos
Manutenção de provas do caso Master no STF pode afetar – Reprodução

CONSTANÇA REZENDE
FOLHAPRESS

Peritos federais ouvidos pela Folha avaliam que a decisão do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), de manter todo o material do caso Master apreendido nesta quarta-feira (14) lacrado e guardado no tribunal pode comprometer as investigações.

A medida é incomum em operações da Polícia Federal. Geralmente, os itens apreendidos são mandados à perícia que fica dentro da estrutura policial.

Do ponto de vista técnico, segundo estes peritos, a decisão pode gerar riscos de violação da cadeia de custódia –quando não são cumpridos os procedimentos que garantem a preservação da prova de um crime.

Também há preocupação com a perda ou manipulação indevida de dados digitais durante o seu armazenamento. Além da possibilidade de acesso remoto e de que os dados fiquem preservados.

Um perito que pediu para não ter seu nome divulgado afirma que não há informação sobre onde o material será armazenado no Supremo, tampouco quem vai manipulá-lo.

A decisão pode gerar dúvidas sobre a confiabilidade das provas e abrir questionamentos da defesa e uma discussão que pode resultar na anulação da investigação.

Além disso, segundo os peritos, a decisão sugere que Toffoli não confia na Polícia Federal o suficiente para mandar os bens para o órgão, uma vez que não houve justificativa clara para isso.

O gabinete de Toffoli argumentou, em nota, que o acautelamento imediato na corte “tem por finalidade a preservação das provas recolhidas pela autoridade policial e serão devidamente periciadas pelas autoridades competentes”.

A medida ocorreu na decisão em que o ministro criticou a Polícia Federal e exigiu explicações em 24h do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, pelo não cumprimento dos prazos determinados por ele na segunda fase da operação Compliance Zero, que investiga postas fraudes do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco.

As críticas constam do despacho assinado nesta terça-feira (13), em que Toffoli determinou a busca e apreensão em endereços de Vorcaro, a prisão temporária do cunhado dele, Fabiano Zettel, e ainda busca de informações do empresário Nelson Tanure.

As medidas determinadas por Toffoli foram requeridas pela Procuradoria-Geral da República em 6 de janeiro e deferidas pelo ministro no dia seguinte. A ação policial só foi deflagrada nesta quarta-feira (14).


T LB

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