Quinta-feira, 05/02/26

Mineradora de terras raras brasileira recebe financiamento maior dos EUA, que pode se tornar sócio do negócio

Mineradora de terras raras brasileira recebe financiamento maior dos EUA, que pode se tornar sócio do negócio
Mineradora de terras raras brasileira recebe financiamento maior dos EUA, – Reprodução

A Serra Verde, única mineradora de terras raras em operação no Brasil, anunciou nesta quinta-feira (5) que um banco estatal dos Estados Unidos aumentou para US$ 565 milhões o financiamento concedido à empresa. Agora, o governo americano também terá o direito de adquirir uma participação acionária minoritária na mineradora.

Em novembro, a mineradora havia anunciado que o DFC (Development Finance Corporation) tinha se comprometido a aportar US$ 465 milhões na empresa. Na ocasião, não havia sido divulgada a possibilidade de o governo dos EUA adquirir ações da empresa.

A Serra Verde opera uma mina de terras raras no norte de Goiás e atualmente exporta toda a sua produção para a China, país que domina 60% da extração e 90% do refino desses minerais. Mas a empresa, que pertence a dois fundos de investimentos americanos e um britânico, sinalizou no ano passado que remodelou contratos com chineses para escoar parte de sua produção para clientes ocidentais, sem citar a nacionalidade deles.

Devido a desafios operacionais, a empresa hoje não consegue produzir sua capacidade máxima, de 5.000 toneladas de óxido contido no concentrado de terras raras, produto final da empresa. Ainda assim, a mineradora tem planos de até o final de 2027 expandir sua produção para 6.500 toneladas.

“O anúncio de hoje representa um forte reconhecimento da importância estratégica preeminente da Serra Verde no cenário global. Estamos profundamente gratos pelo apoio do governo dos Estados Unidos e esperamos trabalhar em conjunto para a construção de novas cadeias de valor independentes”, afirmou o CEO da Serra Verde, Thras Moraitis, em nota enviada pela empresa.

“O compromisso de grande porte da DFC, de quase US$ 600 milhões, assegura um futuro promissor para a Serra Verde e para diversas empresas downstream (etapas finais de um processo produtivo) que dependem de nossas terras raras”, acrescentou.

É incerto se o contrato também prevê a obrigatoriedade da Serra Verde em fornecer sua produção para empresas americanas, principalmente de carros elétricos e de equipamentos de defesa, que dependem de ímãs produzidos com alguns elementos de terras raras. Pessoas que acompanham o tema, no entanto, dizem que essa contrapartida é comum em contratos do tipo.

O anúncio desta quinta reforça a estratégia do governo americano de assinar diretamente contratos com empresas de minerais críticos no Brasil, sem necessariamente esperar um eventual acordo com autoridades brasileiras, que cobram que o processamento desses minerais aconteça dentro do país. O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, e é visto internacionalmente como uma das maiores alternativas ao fornecimento chinês.

Como a Folha reportou em dezembro, o governo americano tem usado o DFC como meio para firmar acordos com essas empresas.

O banco assinou em setembro um contrato de US$ 5 milhões com a Aclara, empresa com projeto em estágio avançado para explorar terras raras também no norte de Goiás. Os recursos, que podem ser convertidos em ações da empresa no futuro, vão ser usados para a mineradora completar o estudo de viabilidade de sua mina.

Um mês depois do anúncio, a empresa anunciou que construirá até 2028 uma refinaria nos Estados Unidos para separar o concentrado de terras raras produzido no Brasil. Os investimentos previstos pela Aclara para a construção nos EUA são de US$ 277 milhões (R$ 1,5 bi) , menores do que os previstos pela empresa em Goiás, de US$ 680 milhões (R$ 3,7 bi) .

A instalação de uma planta de refino em um determinado país, contudo, é considerada mais estratégica em um setor hoje dependente dos chineses. Em seu site, a mineradora diz que a refinaria será capaz de suprir mais de 75% da demanda americana por elementos pesados de terras raras para veículos elétricos até 2028.

Na quarta (4), o governo americano anunciou em evento sobre o tema alianças com países da União Europeia, além de Japão e México, para reforçar a segurança e a resiliência das cadeias de suprimento de minerais críticos. O chanceler do Brasil, Mauro Vieira, foi convidado para o evento, mas enviou o ministro-conselheiro Fernando Sena, especialista no tema pela embaixada. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também participou do evento.

T LB

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *