Quinta-feira, 12/02/26

MP junto ao TCU pede ao STJ que suste remuneração de Marco Buzzi, ministro acusado de assédio

Denunciante confirma acusação de assédio contra ministro do STJ em depoimento ao CNJ
Denunciante confirma acusação de assédio contra ministro do STJ em – Reprodução

O subprocurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MP-TCU), Lucas Rocha Furtado, pediu nesta quinta-feira, 12, que o Tribunal adote medida cautelar determinando ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a imediata a suspensão do pagamento de qualquer remuneração ao ministro Marco Buzzi.

Na última terça-feira, 10, por unanimidade, o STJ decidiu pelo afastamento cautelar do ministro, acusado de importunação sexual Buzzi, contudo, continuará recebendo seu salário de R$ 44 mil. Os advogados que representam o ministro classificaram a medida como desnecessária e informaram que estão sendo colhidas “contraprovas que permitirão, ao fim, a análise serena e racional dos fatos”.

Estadão mostrou nesta semana que ele recebia salários acima do teto da magistratura e, entre setembro e dezembro, a soma dos seus salários ultrapassou R$ 600 mil líquidos.

Furtado pede que a suspensão ocorra enquanto perdurar o afastamento cautelar, “considerando a gravidade das acusações e a necessidade de resguardar os princípios constitucionais da moralidade, eficiência e economicidade”.

O subprocurador-geral também pede que o TCU decida pela adoção de medidas necessárias para apurar valores já pagos a Buzzi desde o início de seu afastamento, com possibilidade de eventual restituição ao erário.

Na representação, Furtado enfatiza que as acusações contra o ministro não são de meras infrações administrativas ou de condutas de menor gravidade. Afirma que as denúncias são de importunação sexual, um comportamento que, além de violar a dignidade das vítimas, compromete a imagem e credibilidade do Poder Judiciário como um todo, emenda.

“Permitir que um magistrado acusado de tais condutas continue a receber remuneração integral, custeada pelos contribuintes, é um verdadeiro escárnio com a sociedade brasileira. Trata-se de um desrespeito às mulheres vítimas de violência, às famílias que dependem de serviços públicos de qualidade e a todos os cidadãos que esperam que os recursos públicos sejam utilizados de forma responsável e ética”, diz.

T LB

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