Sábado, 14/03/26

Mural homenageia Edison Carneiro no Museu do Folclore do Rio

Mural homenageia Edison Carneiro no Museu do Folclore do Rio
Mural homenageia Edison Carneiro no Museu do Folclore do Rio – Reprodução

Um mural em homenagem ao etnólogo e pesquisador da cultura popular Edison Carneiro (1912-1972) foi inaugurado nesta sexta-feira (13) no terraço do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), no Catete, zona sul do Rio de Janeiro. A obra integra o projeto Negro Muro e está localizada no Museu do Folclore Edison Carneiro, unidade que o próprio homenageado dirigiu entre 1960 e 1964.

No mural, Carneiro é representado de terno branco, caminhando com semblante alegre por Salvador, sua cidade natal, carregando seus livros. Apelidado de ‘intelectual feiticeiro’ pelo amigo e escritor Jorge Amado, com quem militou no Partido Comunista – referência presente na obra –, ele também aparece como Exu, o orixá e filósofo da comunicação que faz a ponte entre os mundos. Ao redor de sua figura, elementos da cultura popular incluem um boizinho de barro, capoeiristas e um livro sobre o samba, manifestação que o baiano pesquisou e ajudou a difundir.

Edison Carneiro é uma referência nos estudos sobre relações étnico-raciais, folclore, cultura popular e religiões afro-brasileiras. Ele se destacou como precursor da defesa da liberdade religiosa, publicando artigos em jornais e textos acadêmicos sobre essas manifestações em uma época em que eram retratadas apenas em páginas policiais. Além disso, foi reconhecido por estabelecer pontes entre terreiros de renome e pesquisadores nacionais e estrangeiros.

A obra incorpora oferendas, galinhas, figuras mitológicas e uma mãe de santo com ervas em punho, além de uma pequena imagem de Exu que Carneiro mantinha em casa. Também são destacados seus livros ‘A Carta do Samba’ (1962) e ‘Quilombo dos Palmares’ (1947).

Para a realização da pintura, o projeto Negro Muro contou com apoio do Museu do Folclore. O pesquisador Pedro Rajão, da equipe do projeto, relatou que acessou pesquisas sobre o folclorista e enfatizou a importância de relacionar a obra ao bairro onde está instalada. Esta é a 77ª realização do Negro Muro, número que coincide com o de Exu no candomblé.

Durante a inauguração, foi firmado um acordo para a ampliação do Museu do Folclore, por meio de parceria entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). A nova unidade deve ser erguida nos jardins do Museu da República, no terreno ao lado do Museu do Folclore.

T LB

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