02/12/2019 às 05h31min - Atualizada em 02/12/2019 às 05h31min

Ex-governadores são acusados por suposto esquema descoberto no âmbito da Operação Ápia

Procuradoria faz quatro denúncias contra Siqueira Campos e Sandoval Cardoso por peculato e corrupção na Agência de Transportes do Tocantins

Estadão Conteúdo.

Estadão Conteúdo - 29/11/2019 - 12:11:44

 

 

Ministério Público Federal apresentou na última sexta, 22, quatro denúncias da Operação Ápia contra os ex-governadores Wilson Siqueira Campos (DEM) Sandoval Cardoso (SD), o ex-deputado estadual Eduardo Siqueira Campos (DEM) e o ex-secretário de Infraestrutura Alvicto Nogueira. As acusações envolvem os crimes de peculato corrupção e desvio de finalidade em financiamento – todos supostamente cometidos no âmbito da antiga Agência de Máquinas e Transportes do Estado do Tocantins (Agetrans) .

 

Algumas denúncias atingem ainda empresários e o ex-vice-governador do Tocantins João Oliveira de Sousa.

 

 

 

As informações foram divulgadas pelo Ministério Público Federal do Tocantins.

 

Os denunciados teriam formado uma organização criminosa que, indicam os procuradores, ‘atuava para desviar verbas públicas oriundas de financiamentos’ e ‘fraudava licitações para garantir a vitória de empresários e empresas pré-determinadas’.

 

Ainda segundo a Procuradoria, a meta do grupo supostamente liderado pelos ex-governadores do Tocantins era ‘enriquecimento ilícito e domínio do mercado’. Além disso, os denunciados ‘desviavam recursos públicos mediante sobrepreço em aditivos contratuais e superfaturamento’, utilizando notas fiscais frias.

 

A Empresa Barra Grande e o desvio de R$ 8 milhões

A primeira acusação do MPF abarca, além dos políticos e do ex-servior público do Tocantins, os empresários José Maria de Araújo, Geraldo Machela de Araújo e Levi Batista de Araújo, proprietários da empresa Barra Grande Construções Ltda.

 

 

 

Segundo a Procuradoria, os denunciados formara um grupo criminoso que supostamente desviou parte cerca de R$ 8 milhões dos recursos adquiridos pelo Estado junto ao Banco do Brasil. O repasse total da instituição bancária para o Tocantins era R$ 1,2 bilhão, transferido mediante três operações de crédito.

A organização teria atuado entre janeiro de 2010 e dezembro de 2014, durante a gestão dos ex-governadores José Wilson Siqueira Campos e Sandoval Lobo Cardoso.

 

Para lavar o dinheiro, o grupo simulava contratos fictícios de venda e aluguel das máquinas e tratores, dizem os procuradores.

 

Na ação, a Procuradoria pede a fixação de R$ 8.745.115,48 – valor do prejuízo causado pelo esquema – na sentença, em caráter solidário, e mais R$ 8 milhões, a título de dano moral coletivo.

 

A empresa Epeng e o desvio de R$ 32 milhões

A segunda denúncia do MPF do Tocantins diz respeito à atuação do grupo para garantir que a Empresa Projetos de Engenharia Ltda (EPENG) ‘fosse vencedora, por meio de ajustes, combinações e outros expedientes fraudulentos de licitações’. De acordo com os procuradores, o grupo também garantia pagamentos indevidos à empresa, ‘oriundos de aditivos contratuais ilegais e medições fraudulentas’.

 

 

 

As acusações de tal peça também foram atribuídas ao empresário Francisco Anteluis Vaz, proprietário da empresa.

 

O MPF acredita que o grupo chegou a desviar mais de R$ 32 milhões dos cofres públicos.

A denúncia registra ainda que, entre 2013 e 2016, Sandoval ardoso, Alvicto Nogueira, e Francisco Vaz teriam lavado o dinheiro com a formulação de contrato fictício de compra e venda de maquinário entre EPENG e KK Máquinas.

 

COM A PALAVRA, A DEFESA

A reportagem busca contato com a defesa dos ex-governadores Siqueira Campos e Sandoval Cardoso, além de todos os outros denunciados pelo Ministério Público Federal. O espaço está aberto para manifestações.

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