08/01/2020 às 06h31min - Atualizada em 08/01/2020 às 06h31min

Por que querem esvaziar o papel de Sergio Moro na queda da criminalidade

Esvaziar o papel de Moro no combate à criminalidade teria, ainda, outra vantagem para quem anda incomodado com o ministro: enfraquecê-lo no plano eleitoral, no caso de ele vir a candidatar-se em 2022.

O Antagonista

O Antagonista - 06/01/2020 - 10:13:26

 

 

A tentativa de esvaziar o papel de Sergio Moro na expressiva queda da criminalidade no país — o que levou o ministro a dizer ontem no Twitter, como noticiamos, que “se quiserem atribuir a queda ao Mago Merlin, não tem problema” — é a ponta de um iceberg mágico.

 

E o iceberg mágico que começa a ganhar corpo em Brasília é a retirada da Segurança Pública do âmbito de Moro, que ficaria apenas com o Ministério da Justiça. A narrativa que se tenta emplacar é que, se ele não tem um papel central no combate à criminalidade, não há motivo para afirmar que a separação dos ministérios acarretaria danos na área de segurança.

 

 

 

O iceberg mágico que pode abalroar Moro inclui, obviamente, a saída da PF da esfera do Ministério da Justiça — o que seria ótimo para todos os enrolados de colarinho branco em inquéritos e processos.

 

Esvaziar o papel de Moro no combate à criminalidade teria, ainda, outra vantagem para quem anda incomodado com o ministro: enfraquecê-lo no plano eleitoral, no caso de ele vir a candidatar-se em 2022.

 

Os fazedores do iceberg mágico já têm até um nome para comandar uma eventual pasta de Segurança Pública dissociada do Ministério da Justiça: Raul Jungmann, que comandou a área no governo de Michel Temer.

 

Jungmann, aliás, acusou a estocada de Moro no Twitter, como registramos. Ele disse ontem na rede social: “Trabalhamos duro, ao longo de escassos 11 meses, para dotar o Brasil de um sistema e uma política nacional de segurança pública.”

 

Jungmann é o Mago Merlin a que se referia Moro. O Mago Merlin do iceberg mágico.

 

Exclusivo: não comece 2020 ser ler o que Moro, Barroso e outras 8 personalidades têm a dizer sobre o futuro do  Brasil.

 

Indicadores mostram redução na criminalidade em todo o país.

O Brasil está de fato superando a tragédia petista?

2020 vai mesmo ser um ano melhor?

 

Moro diz que “A MISSÃO ESTÁ LONGE DO FIM”.

Barroso afirma que “O BRASIL JÁ NÃO ACEITA O INACEITÁVEL”.

É leitura obrigatória para começar 2020.

Nos artigos exclusivos, são abordadas — de maneira clara e corajosa — questões cruciais ao destino do Brasil.

Continuidade da Lava Jato e do combate ao crime organizado, rumos do governo Bolsonaro,  consequências do pensamento politicamente correto sobre a agenda do país, liberdade de imprensa e tentação autoritária etc.

O ministro Sergio Moro trata dos desafios da sua pasta, da Justiça e Segurança Pública, analisando a queda em índices de criminalidade e apontando os desafio adiante.

Leia a seguir um trecho do artigo exclusivo de Moro:

“Agora precisamos olhar para frente. Bons resultados nos motivam a perseguir melhores. Sim, os crimes caíram, mas os números remanescentes ainda são muito ruins. Há muito que se fazer, como prosseguir no desmantelamento das organizações criminosas brasileiras, aprofundar o combate à violência urbana, melhorar as investigações contra corrupção. Precisamos, no campo legislativo, retomar a execução da condenação criminal em segunda instância. (…) O que posso dizer de alento, para recompensar a confiança, é que a missão está longe do fim….”

O ministro do STF Luís Roberto Barroso trata da reação orquestrada de criminosos, investigados e seus defensores contra a Lava Jato e contra outras iniciativas da sociedade que tentam promover uma limpeza nas práticas políticas do país.

O artigo faz referência, por exemplo, ao uso das mensagens roubadas para atacar a Lava Jato e o ministro Moro — leia um trecho:

“Há em curso no Brasil, no entanto, um esforço imenso para capturar a narrativa do que aconteceu no país. Muita gente querendo transformar a imensa reação indignada da sociedade brasileira e de algumas de suas instituições no enfrentamento da corrupção numa trama para perseguir gente proba e honesta. E, para isso, não se hesita em lançar mão de um conjunto sórdido de provas ilícitas, produzidas por criminosos – Deus sabe a soldo de quem. (…) O país vem fazendo um esforço enorme para empurrar para a margem da história essa velha ordem, em que era legítima a apropriação privada do estado e o desvio rotineiro de dinheiro público. A sociedade brasileira já não aceita mais o inaceitável e desenvolveu uma enorme demanda por integridade, idealismo e inclusão social…”

O futuro econômico do Brasil não poderia ser deixado de lado na Edição Especial da Crusoé.

O economista Pedro Fernando Nery ressalta a importância dos avanços nessa área obtidos nos primeiros 12 meses de governo Bolsonaro.

Mas lembra que perigos ainda rondam a economia nacional:

“A reforma da Previdência foi aprovada, afastando o receio de uma argentinização da economia brasileira. Sem ela, com um crescimento do gasto previdenciário de 50 bilhões de reais por ano, rumávamos para uma dívida impagável, colocando no horizonte um calote ou uma hiperinflação, passando no caminho por aumentos da carga tributária e dos juros – preço do risco dessa dívida. Com ela, esses perigos foram substancialmente reduzidos para os próximos anos, mas sozinha a reforma não promoverá forte aceleração do crescimento. No jargão: ela é condição necessária, mas não suficiente (…) A reforma não acabou: após a decisão da Câmara de retirar estados e municípios, onde se encontra boa parte do desequilíbrio nos próximos anos e muitos privilégios, o Senado buscou facilitar a adesão deles à reforma por meio de uma nova PEC, a PEC Paralela…”

Isso é só uma pequena amostra das reflexões da Edição Especial Perspectivas 2020.

Há muito mais:

⏹ O jornalista Fernando Gabeira analisa as idiossincrasias do governo Bolsonaro

⏹ O filósofo Luiz Felipe Pondé se debruça sobre a cultura no Brasil do futuro próximo e prevê que o debate será cada vez mais refém de “histéricos” obcecados pela pauta sexual e de gênero

⏹ O jornalista e pesquisador Carlos Alberto di Franco mergulha nos desafios do jornalismo em tempos de internet e mostra como ele é — e será — imprescindível para a sociedade democrática

⏹ Erika Marena, delegada da PF que atuou na Lava Jato e hoje comanda o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, explica como o Brasil pode dar outro salto no combate à corrupção: os estados brasileiros são personagens essenciais nessa tarefa

 O professor Paulo Cruz lança mais uma reflexão incomum sobre questões relacionadas ao racismo: ele mostra como as campanhas politicamente corretas carregam em si um componente totalitário

⏹ Janaina Paschoal, deputada estadual e autora do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, diz que o aperfeiçoamento da democracia brasileira passa pela liberação das candidaturas avulsas, reduzindo o poder do “cartel” dos partidos políticos

⏹ Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato no Paraná, analisa as conquistas do operação e prevê que 2020 será um ano importante no “esforço dos brasileiros contra a roubalheira”.

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