18/06/2020 às 15h32min - Atualizada em 18/06/2020 às 15h32min

Confira detalhes da Operação Anjo, que prendeu Fabrício Queiroz

Ofensiva foi aberta na manhã desta quinta, 18, pelos Ministérios Públicos do Rio e de São Paulo e mira ainda servidor e ex-servidores da Alerj, além de um advogado. Polícia faz buscas em casa que consta na relação de bens do presidente Jair Bolsonaro no Rio

Estadão Conteúdo.

Os Ministérios Públicos do Rio e de São Paulo deflagraram na manhã desta quinta, 18, a operação Anjo, e prenderam o ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz em Atibaia , no interior de São Paulo. A mulher de Queiroz, Márcia Oliveira de Aguiar, também é alvo de mandado de prisão, no Rio. A operação mira ainda o servidor da Assembleia Legislativa do Rio Matheus Azeredo Coutinho, os ex-funcionários da casa Luiza Paes Souza e Alessandra Esteve Marins e o advogado Luis Gustavo Botto Maia.

 

A Polícia cumpre ainda mandado de busca e apreensão em casa que consta na relação de bens do presidente Jair Bolsonaro no Rio. O imóvel fica em Bento Ribeiro, na Zona Norte da cidade.

 

Contra outros suspeitos de participação no esquema, a Justiça fluminense decretou medidas cautelares que incluem busca e apreensão, afastamento da função pública, o comparecimento mensal em Juízo e a proibição de contato com testemunhas.

 

A operação está relacionada ao inquérito sobre as ‘rachadinhas’ no gabinete do filho do presidente Flávio Bolsonaro à época em que era deputado estadual.

 

A prisão de Queiroz

O ex-assessor de Flávio Bolsonaro foi encontrado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MP-SP no escritório de um advogado que presta serviços ao parlamentar. Queiroz também é alvo de buscas. Segundo a Promotoria, a transferência do ex-assessor de Flávio Bolsonaro para o Rio ocorrerá ainda hoje.

 

Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, deixa o Instituto Médico Legal de São Paulo. Foto: EFE/Sebastião Moreira

 

O delegado Nico Gonçalves informou que Queiroz estava na casa em Atibaia há cerca de um ano, segundo informado pelo caseiro. Queiroz foi encontrado sozinho e não reagiu à prisão. Ele disse aos policiais que estava com a saúde ‘muito abalada’. O ex-assessor de Flávio entregou o celular à Polícia.

 

Gonçalves indicou ainda que os agentes tiveram que arrombar a porta da casa em que Queiroz foi encontrado, do advogado Fred Wassef. Segundo ele, Queiroz estava dormindo, se mostrou surpreso e pode não ter ouvido a campainha.

 

O delegado informou que foram apreendidos celulares, documentos e uma pequena quantia de dinheiro no local onde Queiroz foi preso.

 

A investigação

O ponto de partida da investigação sobre as ‘rachadinhas’ no gabinete do filho 01 do presidente Jair Bolsonaro é o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras que aponta movimentação suspeita do ex-policial militar Fabrício Queiroz , homem de confiança do clã Bolsonaro . O documento foi revelado em dezembro de 2018 pelo Estadão.

 

Nessa investigação, o Ministério Público conseguiu na Justiça Estadual do Rio a quebra do sigilo bancário do senador Flávio Bolsonaro ( PSL ), por suspeita de ‘fantasmas’ e ‘laranjas’ em seu gabinete na Assembleia Legislativa – quando exercia o mandato de deputado -, além de compra e venda sub e superfaturada de imóveis.

 

Movimentações bancárias suspeitas atribuídas a Queiroz foram apontadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O órgão vinculado ao Ministério da Economia apontou movimentação de R$ 1,2 milhão em um ano.

 

As investigações miram 94 pessoas, divididas por núcleos no entorno do senador. O inquérito atinge 37 imóveis supostamente ligados ao parlamentar.

 

De acordo com a Promotoria, ‘não parece crível a insinuação da defesa de que a liderança da organização criminosa caberia ao próprio Queiroz, um assessor subalterno, que teria agido sem conhecimento de seus superiores hierárquicos durante tantos anos’.

 

Em dezembro do ano passado, foi realizada a primeira operação ostensiva para procurar provas sobre eventuais crimes de lavagem de dinheiro e peculato no caso das ‘rachadinhas’ . Foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Flávio, a seu ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz e a familiares de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro .

 

Para pedir à Justiça a abertura de tal operação, o Ministério Público do Rio de Janeiro elaborou relatório de 111 páginas que explica , detalhadamente, os pontos de investigação contra o ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz e o senador Flávio Bolsonaro , filho do presidente Jair Bolsonaro.

 

Estadão também disponibilizou a íntegra do Procedimento Investigatório Criminal (PIC), do Ministério Público do Rio que mira o homem de confiança do clã Bolsonaro .

Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »