28/07/2020 às 07h10min - Atualizada em 28/07/2020 às 07h10min

Pandemia: escolas privadas do DF contabilizam 700 demissões de professores

Dados ainda apontam que as creches são as mais afetadas. Até o momento, cinco fecharam e 30 correm o risco de falir

A crise das escolas privadas do Distrito Federal desde o mês de março, devido à pandemia do novo coronavírus, provocou a demissão de 700 professores do ensino infantil e da educação básica. Com dificuldades em pagar os salários por causa da evasão de alunos e com a renda caindo a cada dia, os colégios não tiveram escolha: dispensaram colaboradores ou reduziram salários.

A previsão do Sindicato dos Professores em Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinproep-DF) é que a situação piore nos próximos dias. “A Medida Provisória nº 936, que permite a suspensão dos contratos, foi prorrogada, mas tem data para acabar. Depois disso, teremos mais demissões no setor”, ressaltou o diretor jurídico do Sinproep, Rodrigo de Paula.

A maioria dos docentes demitidos está no setor da educação infantil, que engloba crianças de 0 a 5 anos e estão matriculadas em creches. “Nessa área, os donos não estão conseguindo pagar água e luz. A estimativa é que 30 fechem as portas”, disse o diretor.

Até essa segunda-feira (27/7), cinco escolas tinham encerrado o funcionamento na capital do país e 70 creches recorreram a empréstimos bancários para se manter. A retomada das atividades, prevista para essa segunda, era uma esperança para os proprietários, porém, pesquisa apontou que somente 28,26% dos estudantes voltariam para as aulas presenciais. Mesmo assim, o retorno foi vetado pela Justiça.

Aulas on-line

O Sinproep foi duramente criticado por defender que as escolas mantenham a educação a distância enquanto os casos do novo coronavírus se mantiverem em alta no DF. “É preciso cobrar do governo federal auxílio e apoio para as empresas não quebrarem. Isso ocorreu na Europa e nos Estados Unidos. As escolas não têm condições de se manter sem ajuda neste momento”, destacou Rodrigo de Paula.

João* lecionava em um estabelecimento educacional de Santa Maria há 3 anos e meio. Ele e a esposa davam aulas para crianças e adolescentes do 7º ano dos ensinos médio e fundamental na Escola Vila das Crianças. Eles faziam vídeos para abastecer a plataforma on-line. Em 1º de julho, no entanto, 27 dos 30 professores foram chamados na instituição e demitidos.

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“Demitiram quase todos os docentes e contrataram pessoas com a metade do salário. Ficamos desempregados e estamos correndo atrás de emprego, mas, neste momento, está muito difícil”, contou João à reportagem. Ele preferiu não se identificar por medo de não conseguir novos contratos de emprego.

Fechamento

A retomada das atividades presenciais na rede privada de ensino estava prevista para essa segunda, mas foi suspensa por 10 dias após decisão do juiz do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) Gustavo Carvalho Chehab.

O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe) recorreu, na noite desta segunda-feira (27/7), da decisão da Justiça que cancelou a volta das aulas presenciais nas escolas privadas da capital do país.

Em ação civil pública impetrada no TRT da 10ª Região, a entidade requer “a reconsideração da sentença que suspendeu o retorno das atividades de ensino presencial para que o Decreto nº40.939/2020 seja restabelecido em sua plenitude”.

O GDF, por sua vez, já anunciou que não vai recorrer.


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