13/09/2020 às 06h31min - Atualizada em 13/09/2020 às 06h31min

Ladrão de banco, empresário de Águas Claras é único preso em RDD na Papuda

Nas horas vagas, o criminoso atuava como homem de negócios, gerenciando empresas como o maior lava a jato da região administrativa

CARLOS CARONE
METRÓPOLES

Apontado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) como o mentor de uma série de roubos milionários contra agências bancárias nos últimos dois anos, José Carlos Lacerda Estevam Leite (foto em destaque), 40 anos, se tornou o único preso no Complexo Penitenciário da Papuda a ser submetido ao chamado Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

Conhecido como Carlinhos Paraíba, o criminoso e seus comparsas faturaram cerca de R$ 3 milhões com os assaltos. Nas horas vagas, o bandido atuava como empresário, em Águas Claras, gerenciando negócios como o maior lava a jato da região administrativa, especializado na limpeza de veículos de luxo.

Decisão proferida em 24 de agosto pela juíza da Vara de Execuções Penais (VEP), Leila Cury, determinou que o líder da organização criminosa permanecerá, durante um ano, isolado da massa carcerária e precisará atender a uma série de exigências, entre elas, não ter qualquer contato físico ou troca de objetos com as duas pessoas previamente cadastradas que poderão visitá-lo quinzenalmente.

A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) precisou se adequar às exigências da VEP para manter o preso em regime de RDD.

Carlinhos Paraíba foi isolado em uma cela individual no Presídio do Distrito Federal I (PDF I) e terá todos seus passos monitorados por áudio e vídeo. As escutas ambientais ficam ligadas, inclusive, durante as visitas. Os aparelhos são desligados somente quando o detento recebe, no parlatório, os advogados que o defendem. Isolado 24 horas por dia, o líder da organização criminosa deixa a cela apenas duas horas para o banho de sol.

Na decisão, a juíza Leila Cury afirma que Carlinhos Paraíba se envolveu na prática de vários crimes contra o patrimônio, envolvendo cifras milionárias, mediante arrombamento e, principalmente, estouro de caixas eletrônicos. “O que, por si só, evidencia a necessidade de seu isolamento, pois são motivos concretos de que ele apresenta alto risco para a ordem e a segurança do presídio e da sociedade local”, frisou a magistrada.

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Lavagem de dinheiro

A investigação coordenada pela Divisão de Repressão a Roubos e Furtos (DRF), unidade que pertence à Coordenação de Repressão a Crimes Patrimoniais (Corpatri), apurou que os estabelecimentos legais de Carlinhos Paraíba eram usados para lavar o dinheiro faturado com os ataques. A segunda fase da Operação Sentinela cumpriu sete mandados de prisão e 10 de busca e apreensão em Águas Claras, Ceilândia, Taguatinga e na cidade de Joinville, em Santa Catarina.

De acordo as apurações da DRF, o ladrão de bancos procurava levar uma vida acima de qualquer suspeita e dividia o tempo entre tocar os negócios – sempre ligados ao setor automotivo – e planejar assaltos cinematográficos contra instituições bancárias. “Esse autor recrutava assaltantes de vários estados, definia a função de cada um e organizava o setor operacional e de logística de cada ataque”, explicou o diretor da DRF, delegado Fernando Cocito.

O empresário sempre foi o líder da organização criminosa especializada em roubos a bancos desarticulada na primeira fase da Operação Sentinela, em 4 de maio, segundo a PCDF. Essa ação desmantelou um grupo que agia entranhado na sede do Banco do Brasil, uma das maiores instituições financeiras do país. Na força, cinco funcionários terceirizados do BB foram presos. Todos desabilitavam sistemas de alarme e facilitavam ataques a cofres do banco no território nacional.

Modus Operandi

A célula da quadrilha facilitava o ataque aos cofres de agências espalhadas pelo Brasil desativando sistemas de alarme ou retardando o tratamento do sinistro e o acionamento da polícia após os roubos. Nenhum dos alvos possuía antecedentes criminais e todos eram considerados acima de qualquer suspeita pelo banco – entre eles, dois vigilantes e um supervisor. Os suspeitos trabalhavam como terceirizados em esquema de plantão, operando sistemas de vigilância e segurança de forma remota e englobando centenas de agências espalhadas pelo país.

Com acesso irrestrito ao comando para acionamento da polícia após uma agência ser alvo de assalto, o braço da organização infiltrada na sede do banco tinha facilidade para retardar, ao máximo, o sinal de alerta feito às autoridades. Com isso, o grupo armado da quadrilha ganhava minutos preciosos para arrombar os cofres e fugir com o dinheiro antes da chegada das primeiras viaturas.

Segundo as apurações da DRF, os cinco suspeitos teriam facilitado pelo menos três ataques milionários a cofres da instituição financeira. No primeiro deles, em agência localizada no município baiano de Teixeira de Freitas, em 29 de novembro do ano passado, foi furtada a quantia aproximada de R$ 1 milhão.

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