17/04/2021 às 07h26min - Atualizada em 17/04/2021 às 07h26min

Navio Fantasma: PCDF apreende motor de lancha usada por golpistas

Segunda fase da operação da Divisão de Roubos de Furtos (DRF) da Polícia Civil descobriu local onde peças de embarcações eram guardadas

Carlos Carone / Matheus Garzon
METRÓPOLES
A Coordenação de Repressão a Crimes Patrimoniais (Corpatri), por meio da Divisão de Repressão a Roubos e Furtos (DRF) da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta sexta-feira (16/4), a segunda fase da operação Navio Fantasma, que investiga uma associação criminosa especializada em forjar acidentes automobilísticos e receber valores pagos por seguradoras.
 

Nesta nova etapa, os policiais descobriram que o grupo incendiou uma lancha em Abadiânia (GO) em 27 de fevereiro de 2019 de maneira proposital e recebeu indenização de R$ 200 mil. Para terem um lucro ainda maior, o motor da embarcação foi retirado e colocado em uma outra lancha, apreendida no Setor de Clubes Esportivos Sul (SCES).

No mesmo local, a DRF encontrou uma oficina onde estavam os motores e as rabetas de uma outra lancha incendiada pelo grupo em dezembro de 2019. Todo o material foi apreendido e periciado.

A medida de busca e apreensão foi determinada pela Segunda Vara Criminal de Brasília.

Relembre o caso

A força-tarefa cumpriu, em dezembro do ano passado, 12 mandados de busca e apreensão nas regiões do Lago Sul, da Asa Norte, de Vicente Pires, Taguatinga, do Guará, de Águas Claras e do Núcleo Bandeirante. De acordo com as diligências, os investigados agiram nos últimos dois anos e forjaram dezenas de acidentes envolvendo BMW, Porsche, entre outros. No total, foram destruídos 10 veículos.

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Lancha destruída

Para dificultar a investigação da PCDF, os registros dos acidentes eram feitos na Delegacia Eletrônica, e os bandidos se revezavam na condição de condutor, segurado (contratante), terceiro envolvido e recebedor da indenização. Com o mesmo objetivo, o grupo criou cinco empresas de fachada, em nome das quais eram registrados os veículos.
 

Especializado na simulação de acidentes automobilísticos, o bando inovou em 2019 e incendiou uma embarcação de 50 pés, obtendo vantagem indevida de R$ 750 mil. A lancha foi incendiada em 11 de dezembro do ano passado, por volta das 20h, às margens do Lago Corumbá, em Caldas Novas (GO).

Apesar da chegada do Corpo de Bombeiros e de uma ação rápida, a embarcação de luxo ficou destruída. A apuração envolvendo a lancha também contou com o apoio da Marinha do Brasil.

Modus operandi

A logística usada pela associação criminosa era simples: primeiro, os investigados adquiriam veículos importados de difícil comercialização. Logo depois, contratavam seguros novos, com valor de indenização correspondente à Tabela Fipe. Em seguida, forjavam colisão proposital dos veículos, resultando em perda total.

Por último, o condutor que contratava o seguro assumia a culpa pelo acidente, para viabilizar o pagamento dos danos do outro veículo envolvido na colisão, cujo motorista também integrava a associação criminosa. Com isso, operava-se o recebimento dos valores do seguro, baseados na Tabela Fipe, que são superiores aos valores de aquisição dos automóveis.

“O mercado segurador está começando a perceber que, diante da indicação de fraude, além da recusa de pagamento da indenização, é necessária a comunicação à polícia judiciária. Atualmente, as empresas de seguro demoram muito a fornecer as informações. São mal assessoradas. Deveriam ser ágeis na prestação das informações requisitadas, mas não é o que acontece”, ressaltou à o diretor da DRF, delegado Fernando Cocito.


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