09/05/2017 às 08h56min - Atualizada em 09/05/2017 às 08h56min

Nenê Constantino tem queda de pressão e deixa plenário durante julgamento

Após alguns minutos, o juiz pediu uma questão de ordem para anunciar que a defesa de Nenê solicitou a ausência dele no plenário com a justificativa da idade e problemas de saúde

Correioweb

Nenê Constantino sofreu uma queda de pressão por volta de 18h50 desta segunda-feira (8/5), durante o seu julgamento. Ele foi retirado do plenário, mas continuou no Fórum de Taguatinga. Foi feita uma parada técnica e, na volta, o juiz pediu uma questão de ordem para anunciar que a defesa de Nenê solicitou a ausência dele no plenário com a justificativa da idade e problemas de saúde.

A defesa de Vanderlei também pediu que ele se ausentasse, pois desde 2011 faz tratamento de câncer e devido à dieta restrita que tem feito, ficar sentado por tantas horas pode trazer complicações. O juiz João Marcos Guimarães Silva deferiu os dois pedidos e eles vão retornar ao plenário quando for o momento de serem interrogados.
 
Nenê Constantino e mais quatro pessoas respondem pelo assassinato de Márcio Leonardo de Sousa Brito. Ele era líder comunitário e foi morto a tiros em 12 de outubro de 2001. Márcio morava em uma propriedade da antiga Viação Pioneira, empresa de ônibus também pertencente ao empresário de aviação. Os réus serão julgados por homicídio qualificado e oferecimento de vantagem a testemunha.
 
Além de Nenê, Vanderlei Batista, João Alcides Miranda, Victor Bethoônico de Forestino e João Marques serão julgados. O suposto assassino, Manuel Tavares, já morreu. Dos outros cinco, João Marques é o único que está preso, acusado de tentar matar a própria mulher, em Pernambuco.  
 
Após a delegada, Mabel Alves de Faria Corrêa, responsável pelas investigações à época, a próxima testemunha seria Venâncio Grossi, mas a defesa de Nenê Constantino pediu para dispensá-la. Então, entrou Constantino de Oliveira Júnior, filho do acusado. "Para nós, é uma desgraça. Um pai de família ser assassinado dentro de uma área nossa e o meu pai ainda ser acusado de tudo isso. Jamais pensei na possibilidade de ele estar envolvido nesse crime", disse. 
 
Constantino Júnior afirmou que nunca havia visto João Alcides Miranda e João Marques. Já em relação a Vanderlei Batista, alegou que, quando o pai comprou a Pioneira, ele já trabalhava para os antigos donos e tinha uma participação ativa na empresa. Ele afirmou que o pai sempre se preocupou com os funcionários e até tinha um sentimento 'paternalista' com relação a eles. "O pai sempre foi um exemplo para todos nós", destacou. 
 
Após aproximadamente uma hora de depoimento de Constantino Júnior, entrou  Natália Ferreira da Silva. Ela trabalhou na empresa Planeta por sete anos, começou na venda de passe e depois trabalhou como secretária de Eduardo Queiroz, ex-genro de Nenê Constantino. Durante a fala, ela descreveu o ex-chefe como uma pessoa “grosseira, agressiva e gananciosa” e que andava armado. E que, certa vez, Eduardo chegou a intimidá-la ao colocar a arma em cima do móvel durante uma conversa. “O Vanderlei e o Miranda tinham livre acesso à sala da diretoria (Eduardo). E João Marques pedia dinheiro diversas vezes para ele”, relatou. E Natália voltou a afirmar que ouviu o ex-patrão comentar sobre o ódio que sentia de Nenê e que faria tudo para destruí-lo. 
 
Por volta das 22h20, Natália Vieira Miranda foi chamada. Ela é filha de João Alcides, um dos réus. Durante o depoimento, confirmou que morou com o pai e os irmãos no terreno em que ocorreu o crime, mas que era muito pequena e não lembra de muita coisas. Mas que nas poucas recordações que tem, lembra de Padim (ex-funcionário) como uma pessoa alcoólatra e violenta. Sobre o pai, diz que não acredita que ele tenha participado do crime. “Ele é uma referência para mim e para todos os irmãos. O que somos hoje é graças aos ensinamentos que ele nos deu”, afirmou.
 
Os depoimentos seguiram com o advogado trabalhista da empresa, Marcos Roberto Sousa das Chagas. A defesa de Nenê mais uma vez pediu que fosse dispensado, mas o promotor Bernardo de Urbano Resende discordou, pois o considerava uma testemunha importante. O juiz João Marcos Guimarães Silva indeferiu a desistência e Marcos respondeu aos questionamentos. Depois dele, foi a vez de Roberto de Queiroz. Segundo João Marques, foi ele quem emprestou um fusca branco para que o crime fosse cometido. Mas ele afirma que nunca teve o carro. Após o depoimento dele, o juiz suspendeu a sessão e depois vai seguir o julgamento ouvindo a última testemunha e cinco réus, nesta terça-feira (9/5).

 

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