O ex-presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante a manifestação pelo impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes na Avenida Paulista durante o feriado de 7 de setembro .
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), saiu em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) que imputou a ele por tentativa de golpe de Estado. O governador afirmou que Bolsonaro "jamais compactuou com qualquer movimento contra o Estado democrático de direito", e chamou o ex-chefe de Estado de "presidente".
"Jair Bolsonaro é a principal liderança política do Brasil. Este é um fato. Jair Bolsonaro jamais compactuou com qualquer movimento que visasse a desconstrução do estado democrático de direito. Este é outro fato. Estamos juntos, presidente", escreveu em suas redes sociais.
O post foi republicado pelo vereador Carlos Bolsonaro (PL), o filho "02" do ex-presidente. Minutos depois, o perfil oficial de Bolsonaro respondeu à publicação. "Obrigado sempre pelo apoio, Capita!".
Tarcísio foi o primeiro governador alinhado ao ex-presidente a comentar sobre a denúncia. Outro a fazer isso foi Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina. "Eu tô do lado certo. E Santa Catarina também. Golpe é tirar o maior nome de oposição à esquerda das eleições. Já vimos isso em países vizinhos que se transformaram em ditaduras falidas", declarou nas redes sociais. Ronaldo Caiado (União Brasil), Romeu Zema (Novo), Cláudio Castro (PL) e Ratinho Júnior (PSD), por outro lado, evitaram o assunto.
Entre os governadores de oposição, Jerônimo Rodrigues (PT), da Bahia, fez piada com o termo "Grande dia", usado anteriormente por Bolsonaro. "Justiça acontecendo, democracia defendida. Sem anistia para golpistas!", declarou ele. "A denúncia contra Bolsonaro, Braga Netto e outros golpistas é um marco na defesa da democracia. As provas são incontestáveis. Que a justiça seja feita de forma implacável para que nunca mais ameacem o Brasil", afirmou Fátima Bezerra (PT), governadora do Rio Grande do Norte.
Horas antes da apresentação pela PGR, Tarcísio voltou a negar intenção de se candidatar a presidente em 2026. Ele publicou em suas redes sociais o trecho de uma entrevista concedida à revista “Oeste” para reafirmar seu apoio ao ex-presidente, a quem chamou de “meu candidato”.
— Eu tenho uma admiração e uma amizade profunda com o presidente Bolsonaro. Foi a pessoa que me abriu as portas. Bolsonaro é o detentor do capital político, então a direita tá com Bolsonaro. É o grande líder da direita, é a grande referência, construiu esse capital — disse Tarcísio.
O gesto do governador surge após o colunista Lauro Jardim, do GLOBO, ter publicado que Tarcísio teria admitido em conversas reservadas em Nova York a possibilidade de concorrer ao Planalto no ano que vem, e ocorre no mesmo dia em que o jornal “Folha de S.Paulo” publicou reportagem na qual afirma que o governador fez a mesma confissão a aliados próximos.
A denúncia assinada pelo procurador-geral Paulo Gonet foi remetida ao Supremo Tribunal Federal (STF) na noite desta terça-feira (18), e além de Bolsonaro, foram denunciados também o ex-ministro Braga Netto e mais 32 pessoas por participação em uma trama golpista para manter o ex-presidente no poder após ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022. A Primeira Turma da Corte vai decidir se aceita a denúncia ou não após ela ser liberada pelo relator, ministro Alexandre de Moraes.
De acordo com a acusação, Bolsonaro cometeu os crimes
de organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição do estado democrático de direito, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
A defesa de Bolsonaro afirmou, em nota, que recebeu a denúncia com "estarrecimento e indignação" e se referiu a ela como "inepta". "O Presidente jamais compactuou com qualquer movimento que visasse a desconstrução do Estado Democrático de Direito ou as instituições que o pavimentam. A inepta denúncia chega ao cúmulo de lhe atribuir participação em planos contraditórios entre si e baseada numa única delação premiada, diversas vezes alteradas, por um delator que questiona a sua própria voluntariedade. Não por acaso ele mudou sua versão por inúmeras vezes para construir uma narrativa fantasiosa", destacou a defesa.
Nunes diz que confia no 'espírito democrático de Bolsonaro'; vice contesta denúncia
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nas redes sociais que "a presunção de inocência e o direito à ampla defesa e ao contraditório devem prevalecer em absoluto" em relação ao caso. "Confio no espírito público e democrático do presidente Bolsonaro", escreveu o aliado político.
O vice-prefeito paulistano, coronel Mello Araújo (PL), também comentou sobre a decisão da PGR. Ao GLOBO, ele afirmou que "a Constituição não foi respeitada" na denúncia e apontou intenções de "tirar Bolsonaro do jogo". Mello Araújo foi indicado a vice de Ricardo Nunes (MDB) pelo ex-presidente.
— Uma insegurança jurídica que vivemos, qualquer bacharel em direito sabe que a constituição não foi respeitada, o ordenamento jurídico não foi seguido — disse. — O presidente não deveria estar sendo julgado no STF e nem pelo ministro Alexandre, tudo desrespeitado. Querem de qualquer jeito tirar do jogo, é o único que tem reais condições de ganhar a próxima eleição.
Candidato derrotado por Nunes nas eleições municipais do ano passado, o empresário e influenciador Pablo Marçal (PRTB) abriu uma caixa de perguntas no Instagram para falar do assunto com os seus seguidores. Ele disse achar que Bolsonaro será preso e tem “99%” de chances de ser condenado, mas que pretende contar com ele em uma eventual disputa a presidente em 2026.
“Acredito que bravatas em WhatsApp foram faladas e o grupo deve se arrepender muito. Ele estava aqui nos EUA. Como dar um golpe por wi-fi? Golpe EAD? Golpe a distância? Essa tese está bem frágil”, escreveu Marçal. “Se ele não disputar (a eleição) vou querer de conselheiro”, acrescentou nos stories.
"Simplesmente, não há movimento de execução contra o estado democrático quando Bolsonaro estava no poder, muito menos qualquer ato depois", declarou Alexandre Ramagem, ex-candidato a prefeito no Rio e que também está implicado na denúncia. "Suposições e ilações não tem valor probatório. O processo penal exige provas concretas. A ação penal não pode se iniciar com base em conjecturas, sem elementos probatórios que sustentem a acusação."
O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), também se manifestou em apoio a Bolsonaro. "Confiamos na Justiça e no esclarecimento da verdade no momento certo. Acreditamos na integridade e nos valores do nosso líder, Jair Messias Bolsonaro. Seguimos firmes na defesa da liberdade e da democracia", disse do Prado.
Bolsonaro chega ao Senado Federal para almoço com parlamentares da oposição