O chefe de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Volker Turk, criticou, nesta quinta-feira (20/2), a forma como o Hamas entregou os corpos de quatro pessoas que foram feitas reféns.
Antes de entregar os corpos, combatentes encapuzados e armados exibiram em um palco em Khan Yunis, na Faixa de Gaza, quatro caixões pretos com as imagens dos reféns israelenses. Além disso, foi posicionado um grande cartaz com uma imagem do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, retratado como um vampiro. Para Volker Turk, o "desfile" com os corpos viola o direito internacional.
"Segundo o direito internacional, qualquer entrega dos restos mortais de pessoas falecidas deve obedecer à proibição de tratamento cruel, desumano ou degradante, garantindo o respeito à dignidade do falecido e de suas famílias", pontuou o chefe de Direitos Humanos da ONU.
"O desfile de corpos da maneira vista esta manhã é abominável e cruel. Pedimos que todos os retornos sejam conduzidos com privacidade, com respeito e cuidado", acrescentou Volker.
O Hamas indicou que entregou os corpos de Ariel e Kfir Bibas, que tinham respectivamente 4 anos e 8 meses, e da mãe, Shiri Bibas, 32 anos — de origem argentina. Além disso, o corpo do jornalista israelense Oded Lifshitz, 83 anos, também foi devolvido.
A família Bibas foi sequestrada no kibutz Nir Oz, no sul de Israel, perto de Gaza. As imagens que o Hamas divulgou na época, que mostravam a mãe abraçando os dois filhos quando eram levados à força, foram exibidas em todo o mundo.
Kfir Bibas era o mais jovem dos 251 reféns sequestrados em 7 de outubro. A operação desta quinta é a primeira entrega de cadáveres de reféns sequestrados pelo Hamas desde o ataque de 7 de outubro.
Hamas anunciou em novembro de 2023 que Shiri Bibas e os filhos morreram em um bombardeio israelense no início da guerra, mas Israel nunca confirmou a informação.
Yarden Bibas, marido de Shiri, foi liberto em 1º de fevereiro. Os quatro foram sequestrados ao mesmo tempo, mas Yarden ficou em um cativeiro separado.
O presidente israelense, Isaac Herzog, disse que o país está "com o coração devastado". "Agonia. Sofrimento. Não há palavras. Em nome do Estado de Israel, inclino minha cabeça e peço perdão. Perdão por não proteger vocês naquele dia terrível. Perdão por não os trazer para casa com vida", lamentou.