O pedido de Moraes que elevou a temperatura das críticas no clã Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro fala em 'jogo ensaiado' entre PT e PGR

04/03/2025 07h34 - Atualizado há 4 semanas
O pedido de Moraes que elevou a temperatura das críticas no clã Bolsonaro
Foto Reproduç

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP); e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal .

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Nos últimos dias, o clã político do ex-presidente Jair Bolsonaro vem escalando as críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A temperatura vem subindo desde que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho “Zero Três” do capitão, passou a ser acusado de usar suas relações internacionais para promover ataques contra a democracia brasileira no exterior.

Atualmente, está na mesa do procurador-geral da República, Paulo Gonet, um pedido de Moraes para analisar a possibilidade de confiscar o passaporte de Eduardo, sanção que já foi aplicada contra Jair Bolsonaro há mais de um ano. A notícia-crime enviada pelo ministro à PGR denuncia “crimes contra a soberania nacional” praticados pelo parlamentar — a ação foi movida pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e outros parlamentares petistas.

No domingo, 2, Jair Bolsonaro saiu em defesa do filho contra a medida. Pelas redes sociais, o ex-presidente afirmou que “a possível apreensão do passaporte visa criar constrangimento”, associando a medida a uma manobra para impedir que Eduardo assuma a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados e barre uma aproximação comercial entre Brasil e China

Também na noite de ontem, em entrevista a um canal no YouTube, Eduardo Bolsonaro acusou Moraes de realizar um jogo ensaiado com o PT e a PGR para persegui-lo e preparar o terreno para uma ordem de prisão preventiva contra ele. “Ninguém ficaria surpreso se o Alexandre de Moraes tomasse o meu passaporte. A gente está lutando contra uma ditadura”, afirmou o parlamentar.

Cada vez mais presente no exterior, Eduardo começa a postar em inglês

Já nesta segunda-feira, 3, Eduardo Bolsonaro publicou um vídeo em suas redes sociais “dissecando” a notícia-crime contra ele enviada à PGR. A gravação está inteiramente legendada em inglês —prática que o deputado, presença cada vez mais frequente no exterior, vem adotando em suas postagens.

Considerado o articulador do clã Bolsonaro com a direita internacional, Eduardo vem realizando uma série de viagens aos Estados Unidos e à Europa nos últimos anos para se encontrar com correligionários nestes países. A denúncia do PT contra ele foi motivada por seu discurso no CPAC, evento conservador político nos EUA do qual o “Zero Três” frequentemente participa — na ocasião, criticou a suposta prática de “lawfare” (perseguição judicial) da Justiça brasileira contra o pai, denunciado por envolvimento em um plano de golpe de Estado após  as eleições presidenciais de 2022.

Em janeiro de 2025, Eduardo e Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, viajaram aos EUA para representar Jair Bolsonaro na posse presidencial de Donald Trump, mas não conseguiram autorização para entrar no local da cerimônia e participaram apenas de um evento paralelo do republicano. No ano passado, o deputado liderou as movimentações para aproximar o PL de partidos radicais de direita na Europa, como o Vox, na Espanha, o Chega!, em Portugal, e a AfD, na Alemanha.

Além da articulação com legendas políticas, Eduardo Bolsonaro é próximo de Steve Bannon, ex-assessor e estrategista de Donald Trump investigado por participação no atentado ao Capitólio, sede do Congresso dos EUA, em 6 de janeiro de 2021.


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