O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que escreveu uma carta aos líderes do Irã para pressionar o país do Golfo Pérsico a abrir negociações com Washington sobre seu programa nuclear, sugerindo que haveria possibilidade de uma ação militar americana caso não houvesse concordância sobre o tema. Teerã se manifestou sobre a declaração do republicano, afirmando que não irá ceder à política de máxima pressão exercida por Trump, enquanto a missão do país na ONU afirmou não ter recebido a carta do chefe da Casa Branca.
— Eu escrevi uma carta dizendo que espero uma negociação, porque se tivermos que fazê-la pela força militar será algo terrível para eles — disse Trump em um vídeo difundido pelo canal americano Fox Business. — Não se pode permitir que eles tenham uma arma nuclear.
Durante sua primeira passagem pela Casa Branca, Trump retirou os EUA do acordo nuclear que o Irã havia firmado com o governo de Barack Obama, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), assinado em 2015, que impôs restrições ao programa nuclear iraniano em troca de um alívio de sanções financeiras.
Trump afirmou (e continua a defender) que a saída do acordo foi uma grande vitória para o Ocidente, mas a maioria dos analistas externos diz que a medida foi negativa, com Teerã ampliando a produção e afastando o programa das fiscalizações internacionais. No mês passado, o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, disse que o país estava enriquecendo urânio a 60%, de modo que "quase atinge o grau de armamento".
A fala de Trump provocou uma reação quase imediata de Teerã. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o país não irã retomar nenhum diálogo com os EUA enquanto Trump estiver movido pela ideia de uma política de "pressão máxima", e afirmou que o o programa nuclear não poderia ser destruído por meio de uma ação militar.
— Não entraremos em nenhuma negociação direta com os EUA enquanto eles continuarem com sua política de pressão máxima e suas ameaças — disse o ministro à margem de uma reunião da Organização de Cooperação Islâmica em Jeddah. — O programa nuclear do Irã não pode ser destruído por meio de operações militares... esta é uma tecnologia que alcançamos, e a tecnologia está no cérebro e não pode ser bombardeada.
Ao retornar à Casa Branca em janeiro, o republicano restabeleceu sua política de "máxima pressão" sob o Irã pelas acusações de que o país busca adquirir armas nucleares. Teerã negou constantemente essas acusações e expressou repetidamente sua vontade de reativar o acordo, mas os esforços foram em vão. Especialistas apontam que com o nível de enriquecimento de urânio atual, o acordo de 2015 não serve mais aos propósitos de conter uma escalada nuclear. (Com AFP)