07/09/2017 às 21h44min - Atualizada em 07/09/2017 às 21h44min

Prisão de Joesley Batista está mais próxima

A prisão do empresário Joesley Batista e dos executivos da J&F, Ricardo Saud e Francisco de Assis e Silva, está mais próxima de acontecer. Isto, porque o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pensa em pedir a revogação da imunidade concedida a eles, segundo fontes, ao final da revisão da colaboração premiada.

Janot deve pedir ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que revogue a imunidade para que os delatores respondam a investigações criminais na Justiça, a partir dos ilícitos que eles confessaram, o que a blindagem concedida por ele impedia.

A revisão dos benefícios da delação premiada teria sido motivada pela omissão de informações por parte dos delatores da J&F e da conduta do procurador da República Marcelo Miller que, mesmo antes de pedir exoneração do cargo no MPF, estaria atuando a favor dos interesses da empresa junto à PGR.

Todas as evidências constam do áudio da conversa entre Joesley e Saud, entregue aos procuradores da República na quinta-feira. Até então, os delatores eram considerados “intocáveis”.

Segundo fontes, Rodrigo Janot quer terminar a investigação e pedir a revisão do acordo de delação ao STF antes de deixar o comando do Ministério Público Federal, o que deve ocorrer no dia 17.

Nesta sexta-feira (8), três executivos da J&F devem depor à subprocuradora-geral da República Cláudia Sampaio, assim como o ex-procurador Marcelo Miller.

Depoimento

Depois de cerca de três horas, terminou na Procuradoria-Geral da República, em Brasília, o depoimento do executivo do grupo J&F, Joesley Batista. Em seguida foi ouvido Ricardo Saud, outro executivo da rolding. Os dois chegaram por volta das 10 h desta quinta-feira (7), ao aeroporto internacional de Brasília, em um jatinho particular para prestarem depoimento. A responsável por ouvi-los foi a subprocuradora Cláudia Sampaio.

O advogado da empresa, Francisco de Assis, que também é delator, foi o primeiro a chegar e a depor. De acordo com a assessoria da J&F, nenhum deles falará com a imprensa.

 

Os três delatores foram convocados para esclarecer o teor das conversas gravadas em novo áudio entregue à PGR na última semana.

Nos diálogos, os executivos citam políticos, ex-ministros e até ministros do Supremo Tribunal Federal. Eles também chegam a afirmar que o ex-procurador Marcelo Miller, que participou do acordo de delação, atuou para beneficiar os executivos.

A PGR suspeita que Miller tenha atuado como agente duplo. O depoimento do ex- procurador está marcado para esta sexta-feira (8).

Após receber os áudios, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou investigação para apurar as suspeitas e anunciou que reveria o acordo de delação premiada assinado com os executivos.

Uma das possibilidades é que, após ouvir os executivos, Janot suspenda os benefícios da delação premiada. Janot afirmou que, mesmo cancelado o acordo, as provas obtidas têm validade.

A tese foi rebatida pelo advogado do presidente Michel Temer, Antônio Cláudio Mariz. A decisão final da validade das provas deve ficar com o Supremo Tribunal Federal.


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